A IGREJA NO ATUAL PLURALISMO CULTURAL E RELIGIOSO

Comparado com os anos passados o nosso tempo se apresenta como mais dificil para se viver como cristão e mais problemático para se trabalhar pelo Reino de Deus. Somente culpabilizar nossos contemporâneos por este fato equivaleria a desconhecer suas verdadeiras causas, tomando mais dificil sua solução. Pois não podemos prescindir do contexto sociocultural onde vivemos nossa fé e onde a Igreja realiza sua missão salvífica. Qualquer mudança na sociedade não deixa de repercutir na comunidade eclesial. E hoje experimentamos transformações sociais e culturais profundas e aceleradas.

Nossa referência é a Igreja do passado, uma Igreja que foi se constituindo ao longo dos séculos, teve seu apogeu na Idade Média, conseguiu se conservar parcialmente nos últimos tempos, devido à sua rejeição da modernidade, mas que sofre hoje o impacto de sua inevitável abertura ao mundo efetuada pelo Concílio Vaticano lI. Habitualmente conhecida como Igreja de cristandade apresenta certas características próprias. Vejamos. Um acordo de fundo entre o poder civil e a hierarquia religiosa em vista da preservação e da atuação dos valores cristãos na vida social. Este fato conferia uma fundamentação religiosa às autoridades civis, sobretudo nos regimes monárquicos, e igualmente ajudava a Igreja em sua missão espiritual ao reafirmar oficialmente a visão cristã da realidade como a abóbada que coroava e unificava toda a fragmentada vida dos cidadãos. Era uma sociedade homogênea, já que esta visão era aceita pela maioria da população.

Na época de ouro da cristandade a Igreja hierárquica gozava prerrogativas tais como ser a religião oficial que fundamentava a unidade política do Estado, do peso do direito canônico na legislação civil, de imunidades eclesiásticas, do monopólio da educação e da assistência social, da ajuda do braço secular em sua missão evangelizadora. Mais recentemente, depois da revolução francesa e do advento das democracias modernas, tais prerrogativas se viram diminuídas ou simplesmente canceladas, levando a Igreja a criar seus redutos católicos (escolas, universidades, asilos, hospitais), mas conservando-se ainda como referência preponderante na vida das pessoas. No Brasil o advento da república trouxe maior liberdade para a Igreja, que conseguiu manter sua cosmovisão dominante na sociedade, gozar de algumas prerrogativas e usufruir grande autoridade e credibilidade.

o contexto católico da sociedade brasileira facilitava sobremaneira a transmissão e a vivência da fé. Pois o indivíduo ao se inserir na sociedade e na cultura assumia também a visão cristã como componente óbvia da sociedade. A presença de autoridades civis em atos religiosos e de autoridades religiosas em atos civis reforçava este dado cultural. Deste modo, a esmagadora maioria dos brasileiros queria seus filhos e filhas batizados, embora carecendo de uma adequada evangelização. O normal era ser católico. Os outros eram diferentes e se encontravam um tanto quanto marginalizados. Naturalmente a palavra do bispo ou do padre tinha grande peso neste tempo, pelo reconhecimento social que gozava.

Os embates da Igreja com o poder régio e posteriormente com o poder civil das sociedades democráticas, com conseqüente perda de força e de influência na sociedade, ocasionaram a concepção da Igreja como uma "sociedade perfeita" coexistindo com a sociedade civil e dotada de jurisprudência específica, de âmbito próprio de poder, poder este centralizado na pessoa do papa como instância suprema situada acima das problemáticas nacionais nas quais estavam envolvidos e, portanto desgastados, os bispos locais. A evangelização deficiente de grande parte dos católicos juntamente com o poder assumido pela hierarquia plasmam no imaginário social a idéia de que a Igreja são as autoridades, devendo os demais membros da Igreja obedecer passivamente àqueles que os levariam à salvação eterna. Até hoje muitos católicos falam da Igreja, sobretudo para criticar, sem se incluírem nela.

A busca de unidade numa sociedade em contínuo processo de se tomar mais complexa e diversificada reforça a centralização romana e plasma um catolicismo-padrão para todos os recantos do mundo, manifestado especialmente nas celebrações litúrgicas e nas expressões doutrinais. Unidade significava então uniformidade. Grande valor era dado à reta doutrina, à ortodoxia, à catequese, já que a fé era sem mais pressuposta numa sociedade cristã ou, posteriormente, nos redutos católicos da mesma. A configuração institucional da Igreja resultara assim de uma necessidade de se fazer valer diante do poder civil e, posteriormente, diante do racionalismo, que surgia como instância crítica suprema.

O Concílio Vaticano II representa um marco histórico decisivo para nosso tema. Seus textos retomam riquezas da tradição eclesial como a centralidade de Jesus Cristo, o objetivo salvífico da revelação, a eclesiologia de comunhão, os ministérios como serviço. Além disso, assumem os frutos da reflexão teológica, concernentes à liturgia, ao laicato, ao papel das culturas, à liberdade religiosa, ao ecumenismo, às religiões não cristãs. Mas, sobretudo, este Concílio significa uma mudança radical da relação da Igreja com a modernidade, ao aceitar o diálogo com a sociedade, confrontando-se assim com o pluralismo cultural e religioso nela presente.

O pluralismo cultural resultou da fragmentação do saber em setores específicos, como a política, a economia, as ciências, cada qual dotado de inteligibilidade e normatividade próprias, emancipando-se da tutela religiosa dominante e gerando assim setores secularizados na sociedade. Com isto a religião se viu confinada num campo específico. Este fato repercutiu fortemente não só na Igreja institucional, mas também na fé dos cristãos. O respaldo tradicional que tinham da sociedade desaparece, já que esta se apresenta com múltiplas fontes de sentido e de comportamento ao lado da visão e da ética cristãs. Os católicos se vêem bombardeados por discursos e práticas diferentes em sua vida familiar, profissional, cultural e mesmo de lazer através da mídia que invade tudo.

O respeito à pessoa humana abre maior espaço à subjetividade, à liberdade, à participação. Contudo, na moderna sociedade industrializada o fator econômico é hegemônico, impondo uma racionalidade funcional regida pela produtividade e pelo lucro. Ela deixa assim sem resposta as questões sobre o sentido da vida, por não oferecer referenciais sólidos para o indivíduo construir sua autobiografia. Este se vê então dominado pelo individualismo cultural, que o leva a buscar em tudo vantagens materiais e bem estar pessoal. Vivemos hoje a cultura do prazer imediato, que sustenta o consumismo de bens.

Numa tal sociedade o discurso da hierarquia perde força para mapear a existência dos católicos, a própria religião sofre uma releitura ao ser posta a serviço do indivíduo, o sincretismo religioso subjetivo cresce, os católicos mal evangelizados emigram para Igrejas evangélicas ou mesmo para outras crenças. A fria cultura da eficácia e a inflação de discursos religiosos enfraquecendo-os mutuamente levam nossos contemporâneos a buscar em experiências emotivas um ponto seguro para orientar suas existências. Ainda mais. A atual cultura neoliberal impõe a lógica do mercado não só às nações, mas também às pessoas, que se vêem condenadas a concorrer por empregos e a viver num ritmo estressante. As mudanças culturais que se sucedem em grande velocidade agravam ainda mais tal situação. Todas as classes sociais recebem seu impacto, mas, sem dúvida, são as camadas mais pobres da população que o experimentam de modo mais violento. A luta pela sobrevivência diária em meio à insegurança e ao provisório se toma o objetivo principal dos marginalizados desta sociedade afluente.

Juntamente com o pluralismo cultural é o pluralismo religioso um fato em nossa sociedade brasileira. O Estado moderno não mais necessita de uma fundamentação de cunho religioso, já que se constitui pelo consenso dos cidadãos. Assim ele é tolerante com todas as crenças, embora enfraqueça a influência das mesmas na esfera pública, dominada fortemente pelo setor econômico. A generosa oferta de crenças, muitas delas desenraizadas de uma autêntica comunidade de fé, os sofrimentos dos mais pobres, a ausência de referenciais substantivos para se estruturar a própria existência, provocam a sucessiva troca de Igreja por parte dos fiéis em busca de solução para seus males.

Não há dúvida de que este cenário representa um sério desafio para a Igreja. Ela deverá repensar seu discurso, sua pastoral, seu lugar na sociedade, sua atuação no espaço público, sua configuração institucional, de tal modo que possa realizar sua missão salvífica na atual sociedade. Naturalmente não existe uma solução previamente fabricada, pois as repostas concretas deverão surgir da própria realidade histórica que pode nos surpreender. Elas dependerão do contexto concreto de cada Igreja Local ou Regional, dos recursos humanos disponíveis, da avaliação dos responsáveis. Mas todos estes fatores estão situados dentro de um horizonte de fé e compete à teologia fazê-Io aflorar na memória da Igreja. Este horizonte é decisivo para as orientações ou decisões futuras. Recordemos seus elementos principais.

1. Devemos ao Concílio Vaticano II uma nova consciência eclesial: a identidade última da Igreja é ser missionária, é estar a serviço do Reino de Deus. Como não podemos separar cristologia da soteriologia também não podemos destacar a Igreja da missão (AO 2). Com outras palavras, todo o sentido da Igreja vem de sua atividade salvífica, afirmação esta que vale para cada componente institucional da mesma.

2. A Igreja, analogamente à pessoa de Jesus Cristo, apresenta uma dimensão divina e outra humana que não se confundem (inconfuse), mas que também não se separam (indivise). Ela resulta da iniciativa de Deus, acolhida numa comunidade humana. Deus a convoca pela pessoa de Jesus Cristo salvador, pela proclamação da Palavra, pelo envio de seu Espírito, pelos ministros, pelos sacramentos, pelo testemunho dos cristãos. Ela é realmente uma realidade de Deus: Povo de Deus, Corpo de Cristo, Templo do Espírito, Comunhão com a Trindade.

3. Mas só existe Igreja quando homens e mulheres acolhem a oferta salvífica de Deus na pessoa de Cristo, só existe Igreja como comunidade humana constituída pela fé comum. Esta comunidade se constitui tal, como toda e qualquer comunidade humana, através de experiências vitais comuns, de compreensões comuns da realidade, de juízos comuns e de decisões comuns. Como toda comunidade humana ela haurirá de seu contexto sociocultural a linguagem para expressar sua fé, as estruturas sociais para se organizar como comunidade, as ênfases em pontos doutrinais ou morais e as opções cristãs concretas, tudo no interior de uma determinada situação histórica.

4. Este fato explica as sucessivas configurações institucionais da Igreja no curso de sua história, para ser fiel à sua missão de proclamar e viver a salvação de Jesus Cristo. Pois só assumindo a linguagem da época poderia ser entendida, só respondendo aos desafios concretos poderia ser significativa, só deixando transparecer a mensagem evangélica poderia ser atraente. A Igreja muda para conservar sua identidade e sua finalidade. Mais ainda. A Igreja só pode se entender e se instituir com o instrumental oferecido e vigente em seu contexto sociocultural. Só assim ela é na história humana Povo de Deus, Corpo de Cristo, Templo do Espírito, Comunhão com a Trindade.

5. A Igreja da cristandade não desceu pronta do céu. Foi se constituindo ao longo dos séculos em resposta aos desafios socioculturais do ocidente europeu, configurando sua dimensão institucional às vicissitudes daqueles tempos. Julgá-Ia prescindindo da situação concreta das sociedades de então resultará sempre numa avaliação errônea. Por outro lado, querer conservá-Ia para sempre pode significar absolutizar o relativo, eternizar o histórico, fixar o provisório, impedir novas configurações necessárias. Numa palavra seria confundir o fenótipo com o genótipo.

6. A atual crise eclesial sentida por todos nós não se deve apenas à força do pecado na sociedade moderna, visível nas injustiças sociais e nos sofrimentos das maiorias, ou na busca frenética e egoísta de consumo e de prazer. A crise atual provém também da lenta gestação de uma nova configuração institucional de Igreja, condizente com os desafios do contexto sociocultural onde vivemos. O Concílio Vaticano II trouxe um novo espírito eclesial que busca um corpo que o torne presente e atuante em nossa atual sociedade. Contudo, esta configuração eclesial para nossos dias já se encontra delineada nos textos do Concílio Vaticano 11, bem como em vários pronunciamentos de Paulo VI e João Paulo 11. Apenas procuraremos ordenar suas linhas fundamentais, sintetizando-as e valorizando-as. Naturalmente não reivindicamos esgotar as mesmas nesta breve exposição.

7. Sem negar a necessidade de se pensar a fé e organizar a comunidade dos fiéis, o catolicismo foi fortemente marcado pela Escolástica e pelo Direito Canônico, propiciando certa ênfase nos enunciados da fé e na ordenação jurídica da Igreja. Na sociedade atual há excesso de discursos e se exige das autoridades que justifiquem o que determinam. Estes dados culturais pedem da Igreja recuperar em sua pastoral uma característica mais fundamental da nossa fé que vem a ser a experiência salvífica. De fato, o cristianismo nasceu . da experiência salvífica dos primeiros discípulos com Jesus Cristo. Transmitir a fé consiste em testemunhar tal experiência a outras gerações, já que a Tradição não consiste em passar adiante palavras, mas uma realidade viva, a saber, o próprio Deus entregando-se a nós no Filho e no Espírito. É o próprio Deus agindo em nós por seu Espírito que fundamenta nossa fé, que possibilita confessarmos Cristo como Filho de Deus, que nos sustenta quando os meios humanos fracassam. Este encontro pessoal com Cristo é, sem dúvida, o objetivo último de toda pregação, de todos os sacramentos, de qualquer pastoral. A importância da experiência pessoal na vida de fé vem hoje confirmada pelo sucesso dos grupos pentecostais, mesmo que careçam de correções. Também a indiferença religiosa, tão espalhada na Europa e crescendo rapidamente em nosso país, nos atesta o papel incondicional da experiência salvífica no ato de fé e nos pede repensarmos nossas pastorais como vias para esta mesma experiência. Possibilitam nossas celebrações eucarísticas um encontro com Cristo doando-se por nós, são nossas paróquias "escolas de oração" (NMI 33s), percebe o cristão que sua vida moral é fruto da ação do Espírito Santo (GI 5, 22-25)?

8. A sociedade pluralista olha a Igreja como uma instituição do passado sem conhecê-Ia em sua verdade. Sua existência e sua missão consistem em testemunhar para o mundo a salvação de Deus em Jesus Cristo. É fundamental demonstrar que o Reino de Deus não é um sonho poético, mas que ele já acontece na história, embora na imperfeição da condição humana, através da vida de homens e mulheres que vivem seus valores. A Igreja como sacramento do Reino de Deus só é percebida como tal, por parte dos nossos contemporâneos no testemunho de vida dos seus membros. Porém este testemunho necessita de uma comunidade, já que a sociedade lhe é hostil. As paróquias, sobretudo as urbanas, apesar do esforço heróico de muitos párocos, não conseguem oferecer comunidades menores, com partilha de vida e de ação, que reforce a fé de seus membros. Sem dúvida, o surgimento deste complexo fenômeno dos novos movimentos e comunidades pode também se justificar em parte a partir daqui, já que o Espírito Santo não age num vazio eclesial, mas sempre em conjunturas decisivas.

9. A opção da Constituição Dogmática Lumen Gentium desfaz o imaginário da cristandade que via na Igreja somente a hierarquia. Todos somos Igreja, todos gozamos da mesma dignidade cristã (LG 9), do sacerdócio comum de Cristo (LG 10), todos somos chamados a testemunhar Jesus Cristo (LG 12), todos devemos disseminar a fé (LG 17). O crescimento demo gráfico e a crescente diversificação da sociedade inviabilizam hoje uma pastoral apenas clerical. Há ambientes nos quais somente um leigo católico estará fazendo presente e atuante a Igreja de Cristo. Hoje a pessoa humana tem enorme consciência de sua liberdade, de sua maioridade diante das instituições, de sua responsabilidade na construção da sociedade. Deste modo deveria ocorrer na Igreja uma maior participação dos fiéis, que não se limitasse à ação pastoral para fora (AA 3), mas que se estendesse ao interior da Igreja (Christifideles Laici 25). A ameaça de uma sociedade secularizada explica a demanda crescente dos católicos por uma maior formação espiritual e teológica. Naturalmente este fato exigirá mais dos sacerdotes no que concerne à vida espiritual e ao preparo teológico, para que não se limitem a sacramentalizar e a governar de modo autoritário.

10. A atual situação apresenta grande diversidade no interior da Igreja. A começar por dois tipos de católicos. Uns estão ligados à Igreja-Povo, vendo nela uma instituição religiosa que oferece certo sentido para a vida e consolo nos sofrimentos, sendo procurada em alguns momentos da vida e sendo abandonada ou trocada por outra quando não os satisfaz. Outros experimentam a Igreja-Comunidade, são ativos nas paróquias e nos movimentos, cuidam de sua formação religiosa, vivem à luz da fé e experimentam a força de Deus e o apoio da comunidade. Outra fonte de diversidade é a complexa e pluralista sociedade moderna, que gera mundos e submundos culturais conforme as gerações, classes sociais, contextos socioculturais, com linguagens próprias e práticas correspondentes. Por outro lado, a fé deve penetrar na vida real d~ cada um, no que ela tem de próprio, para poder estruturar sua biografia e orientar suas opções. Caso contrário, se toma algo ao lado da vida, sem importância. Aqui está a intuição profunda de João Paulo 11 com o tema da inculturação da fé. Daí o imperativo de aceitarmos certa diversidade na liturgia, na catequese, na formação religiosa, na atividade eclesial. Neste particular deve ser ressaltada a importância das comunidades eclesiais de base, reconhecidas por Paulo VI (EN 58) e por João Paulo II (RMi? 51). Pois descentralizam e articulam a comunidade paroquial em ambientes mais simples, abrem espaço na Igreja aos pobres, unem fé e vida, possibilitam autênticas experiências comunitárias, fomentam um laicato ativo, evangelizam o seu meio.

11. A aceitação da diversidade exige o diálogo. Já no interior da Igreja, pois a catolicidade da mesma reside nesta riqueza de expressões da mesma fé. Aceitar o diferente implica reconhecer que não temos a plenitude da vivência ou da verdade cristã. Diálogo também com nossos irmãos evangélicos dos quais também temos que aprender (Ut Unum Sint 14). Diálogo com outras religiões, colaboradoras para construirmos a paz e a justiça no mundo por apontarem para valores transcendentes que contestam o atual materialismo. Diálogo com a sociedade democrática ajudando a construir um mundo mais justo e fraterno, contribuição esta baseada em argumentos e não na autoridade, voltada para o bem comum e não para si própria.

12. Concluo ressaltando dois pontos. Primeiro, a crise atual da sociedade é no fundo uma crise de fé, que também atinge a Igreja. Segundo, nunca a humanidade teve tamanha consciência do sofrimento humano e nunca dispôs dos meios para eliminá-Io como hoje, sem que os responsáveis passem à ação. Os dois pontos têm estreita conexão entre si. Por isso mesmo a luta pela justiça e a opção pelos mais pobres que sempre caracterizaram este episcopado deve ser mantida, mesmo que acarretem desprestígio e enfraquecimento diante do mundo. Aí então faremos uma experiência mais plena de que é Deus através de seu Espírito que mantém vivo este "pequeno rebanho" (Lc 12,32), a Igreja que somos nós.

Mario de França Miranda


Page last modified on 21 de agosto de 2005, às 20h23