CNLB.HomePage Histórico
Ocultar edições insignificantes - Mostrar mudanças do código - Cancelar
Movimentos em Defesa da Vida fazem Ato Público em São Paulo
sexta: 28 de março de 2008
Amanhã, 29, às 10h, acontecerá na Praça da Sé, em São Paulo
(SP), o 2º Ato Público em defesa da vida com o objetivo de
convidar o povo brasileiro, os governantes e o Congresso Nacional para rejeitar o Projeto de Lei 1135/91, que legaliza
o aborto até o nono mês de gestação.
No evento estará presente o presidente do Conselho Episcopal do Regional Sul 1 da CNBB, dom Nelson Westrupp. Participam também a coordenadora do Comitê Estadual do Movimento Nacional
em Defesa da Vida, Marília de Castro; coordenador do Movimento Nacional em Defesa da Vida, Jaime Ferreira Lopes; presidente da Comissão da Defesa da República e Democracia da Ordem
dos Advogados do Brasil de São Paulo, Cícero Harada, entre outros.
Memória
O 1º Ato Público em Defesa da Vida aconteceu em São Paulo (SP),
na Praça da Sé, e reuniu mais de 11 mil pessoas. Dom Westrupp
esteve presente no evento.
O Conselho Episcopal do Regional Sul 1 da CNBB é constituído por
46 dioceses do estado de São Paulo, inclusive a arquidiocese e suas sete regiões episcopais.
A última saudação a Chiara Lubich em São Paulo Fora dos Muros,
em Roma
Terça-feira, 18 de março, às 15 horas Será presidido pelo cardeal Tarcisio Bertone, Secretário de Estado
A mensagem do Papa Bento XVI
“Tomei conhecimento, com profunda emoção, da notícia da morte de Chiara, que chegou ao final de uma vida longa e fecunda, marcada incansavelmente pelo seu amor por Jesus Abandonado” Assim inicia o telegrama assinado pelo Papa Bento XVI, enviado hoje de manhã. “Nesta hora de dolorosa separação”, o Santo Padre assegura a sua proximidade espiritual “com afeto”, “aos familiares e a toda a Obra de Maria – Movimento dos Focolares – que teve origem com Chiara, bem como a todos aqueles que apreciaram o seu constante empenho em favor da comunhão na Igreja, do diálogo ecumênico e da fraternidade entre todos os povos”. O Papa agradece a Deus “pelo testemunho da sua existência na escuta das necessidades do homem contemporâneo, em plena fidelidade à Igreja e ao Papa”. Bento XVI faz votos de que “todos os que a conheceram e encontraram, admirando as maravilhas que Deus realizou por meio do seu ardor missionário, sigam os seus passos, mantendo vivo o seu carisma”. O Papa conclui invocando “a materna intercessão de Maria” e enviando “a todos” a sua bênção apostólica.
A última saudação a Chiara Lubich será na terça-feira, dia 18 de março, às 11h (hora de Brasília), na basílica romana de São Paulo Fora dos Muros. A cerimônia será presidida pelo Secretário de Estado do Vaticano, cardeal Tarcisio Bertone. Será transmitida via satélite e pela internet.
Durante a manhã de hoje houve um contínuo afluxo de visitas à sua casa. O velório terá início às 12 (hora de Brasília), até segunda-feira à noite, no Centro Internacional do Movimento dos Focolares, em Rocca di Papa, Itália (Via di Frascati, 306).
Chiara será sepultada na capela do Centro Internacional do Movimento, em Rocca di Papa.
Em Trento, sua cidade natal, foi decretado luto pelo prefeito Alberto Pacher.
A CNBB recebe com pesar a notícia da morte de Chiara Lubich, ocorrida na madrugada de hoje em Roma, solidarizando-se com todos os membros do Movimento dos Focolares, fundado por ela em 1943 e presente no Brasil desde 1958. Chiara Lubich, ao longo de sua vida, deu um grande testemunho de fé e humanidade, num empenho constante pela comunhão na Igreja, pelo diálogo ecumênico e pela fraternidade entre todos dos povos. Recordamos suas diversas visitas ao nosso País, particularmente em 1991 quando propôs a criação da Economia de Comunhão que, no âmbito do Movimento dos Focolares, buscou ser uma resposta aos grandes problemas sociais de nosso povo. Essa experiência logo se consolidou e se expandiu, sendo hoje um modelo de solidariedade e de serviço aos mais pobres em todo o Mundo. A Deus fazemos chegar nossa prece a fim de que acolha Chiara Lubich entre os eleitos, dando-lhe do banquete preparado para os que, nesta vida, serviram Cristo nos mais pobres e sofredores. Conforte-nos a palavra da Sabedoria: “As almas dos justos estão na mão de Deus (...), eles estão na paz” (Sb 3,1.3c).
Brasília - DF, 14 de março de 2008
Dom Dimas Lara Barbosa Bispo Auxiliar do Rio de Janeiro Secretário Geral da CNBB
Chiara Lubich, exemplo de unidade e amor entre os cristãos
Movimento dos Focolares Fundadora e presidente do Movimento dos Focolares, Chiara Lubich nasceu em 1920, em Trento, Itália. Com a idade de 23 anos, durante a II Guerra Mundial, ela, juntamente com algumas companheiras, começou a sua experiência - uma redescoberta dos valores evangélicos - e decidiu escolher Deus Amor como único ideal de sua vida. Esta foi a origem de um vasto movimento de renovação espiritual e social, de dimensão mundial.
A focolarina é uma das personalidades contemporâneas mais respeitadas. Ela afirma a importância da unidade como um "sinal dos tempos": unidade entre as pessoas, as gerações, as raças, os cristãos de várias confissões e entre as religiões. Unidade é a palavra-chave dos focolares, cujo objetivo é contribuir para que a humanidade se torne uma grande família. A espiritualidade da unidade ajudou a cancelar séculos de preconceitos entre os cristãos. Milhares de pessoas de diferentes denominações cristãs participam do Movimento dos Focolares.
Diálogo entre diferentes religiões
A difusão do Movimento no mundo favoreceu e incrementou o diálogo com pessoas de diferentes religiões (judeus, muçulmanos, budistas, taoístas, siks, animistas). Eles também são convidados a viver este ideal de unidade. Em 1981, por exemplo, Chiara Lubich convidada por Nikkyo Niwano, presidente da Rissho Kosei- Kai, apresentou a sua experiência espiritual a mais de 10.000 budistas, em Tóquio. Em janeiro de 1997, Chiara foi convidada a falar a grupos de monges, monjas e leigos budistas na Tailândia, instaurando um diálogo extraordinário entre o cristianismo e o budismo. Em maio de 1997, em Nova Iorque, Chiara teve um encontro pessoal com W.D. Mohammed, atual líder da American Muslim Mission.
Em maio de 1997, a focolarina falou a mais de 700 pessoas no Palácio de Vidro da ONU, em Nova Iorque, que compunham um público multi-racial, multicultural e multi-religioso. No seu discurso, ressaltou a afinidade que existe entre a ONU e o Movimento dos Focolares.
Chiara é a primeira mulher branca, cristã e leiga a narrar a sua experiência de vida na mesquita de Malcom Shabazz, em Harlem (Nova Iorque), a mais de 3 mil muçulmanos, abrindo assim as portas ao diálogo com o mundo islâmico afro-americano. Em abril de 1998, ela encontrou a terceira maior comunidade judaica do mundo, em Buenos Aires, construindo um maior relacionamento de amor recíproco entre cristãos e hebreus.
Desde os primeiros tempos, pessoas de convicções não-religiosas participam das atividades do Movimento que promovem os valores da pessoa e a construção de um mundo unido. A fundadora recebeu vários prêmios, reconhecimentos, doutorados honoris causa e tornou-se cidadã honorária de várias cidades no mundo.
Promotora da Paz
Desde 1994, Chiara Lubich é presidente de honra da WCRP (World Conference of Religions for Peace - Conferência Mundial das Religiões pela Paz), pela sua influência decisiva para o progresso da paz.
Tendo por base o que Chiara chama de "cultura da partilha", o movimento lançou um projeto conhecido como "economia de comunhão na liberdade", segundo princípios que expôs pela primeira vez justamente no Brasil, em 1991. A idéia foi acolhida imediatamente. Hoje mais de 700 empresas aderiram à economia de comunhão no mundo inteiro. Cerca de 80 delas se encontram no Brasil. Nesse projeto se entrevêem linhas sociais e econômicas que articulam princípios nunca antes justapostos: economia, solidariedade e liberdade. A economia de comunhão foi tema de dezenas de teses em várias universidades do mundo.
Chiara Lubich faleceu em Rocca de Papa (Itália), onde está situado o Centro Internacional do Movimento dos Focolares. É autora de inúmeras obras de caráter espiritual, traduzidas em 21 línguas.
Análise de Conjuntura – fevereiro 2008
Apresentação A possibilidade de abalo econômico em consequência de uma recessão nos EUA, preocupa políticos e empresários do mundo inteiro. Peritos em finanças dedicam-se a interpretar os indicadores econômicos, tentando avaliar as dimensões da crise que se aproxima após cinco anos seguidos de bonança na economia mundial. No fundo, debate-se o lugar a ser ocupado pela Ásia (China e Índia) diante dos sinais de decadência do capitalismo estadunidense. Mas nem essa crise que se avizinha trouxe para a pauta dos poderosos a crítica à concepção produtivista do desenvolvimento. Esta é uma discussão colocada pelo movimento altermundista e que provoca divisões inclusive no campo da esquerda. Esse debate em torno à ideologia de Estado “mínimo”, o modelo produtivista e a busca de um modelo de desenvolvimento ecológico-social, é o eixo desta análise de conjuntura. Esta análise aborda o cenário de crise econômica mundial e suas repercussões no Brasil, destacando as divergências nos Movimentos Sociais em relação ao governo Lula. Trata o tema da vida ameaçada no Brasil e na África, e conclui trazendo a atualidade do Congresso Nacional. I . Crise econômica mundial? Sua repercussão no Brasil O debate em Davos. O Fórum Econômico Mundial reuniu, em janeiro, nos Alpes suíços 2.400 empresários e políticos, com sensível aumento do número de chineses e indianos. Tal como o Fórum Social, ele não é um lugar de decisão, mas de debate. A crise dos subprimes (créditos imobiliários oferecidos a pessoas que não tinham como honrá-los) levantou a probabilidade de recessão econômica nos EUA. Pensava-se, inicialmente, que o custo dos subprimes não ultrapassaria uma centena de bilhões de dólares; mas agora já se sabe que ele chega à casa dos trilhões. Economistas e consultores financeiros mostram-se pessimistas, achando que a crise vai se estender ao mundo todo, enquanto os industriais continuam otimistas depois de anos de bons negócios. A alta no preço do minério de ferro é um claro sinal de otimismo. A crise é mais que a dos subprimes. É a crise global do crédito, do financiamento da economia no seu conjunto. Isso a torna preocupante, porque o sistema financeiro mundial passou em poucos meses de um excesso de confiança para um excesso de desconfiança. Antes se emprestava dinheiro a qualquer preço; hoje não se empresta a ninguém. Um novo equilíbrio não será encontrado sem verdade e transparência. A história do capitalismo mostra que a transição de um pólo para outro tem sido marcada por graves crises financeiras . Talvez hoje esteja se configurando um mundo multipolar. Chineses e indianos são os mais otimistas. Outros países emergentes, como o Brasil, acham que seu crescimento será pouco afetado, porque os bancos dos paises ricos recorreram a fundos soberanos (reservas financeiras controladas por governos de grandes países exportadores que já acumulam de US$ 2,5 a 3 trilhões) para cobrir suas perdas. Aliás, os bancos são as entidades que melhor conseguem privatizar ganhos e socializar prejuízos. Ingredientes da crise Tal como a serpente cujos ovos transparentes permitem ao observador prever o que virá pela frente, a crise econômica mundial que está prestes a eclodir tem como ingredientes dois fatos bem visíveis: 1. Os EUA são uma superpotência cujos gastos de investimento e consumo são custeados pela própria moeda nacional, aceita e procurada como meio internacional de troca. Até agora, a emissão de moeda para bancar déficits e dívidas tem apresentado baixo risco; 2. Os fluxos financeiros, cada vez mais mundializados, são deixados ao sabor do mercado, sem efetivo controle ou coordenação de alguma agência internacional. Hoje em dia esses fluxos financeiros são várias vezes maiores que os reais, lidando com títulos baseados na expectativa de que se possam saldar com segurança outros papéis apoiados agora em mais camadas de títulos . A crise de 1929 se deveu em grande parte a oscilações de crédito e liquidez. Depois da euforia - e precisamente em reação a ela, quando se revelou insustentável - veio o pessimismo no qual o “crédito” (no sentido relacional humano e econômico) se reduziu drasticamente. A experiência ensinou então aos governos, que era necessária uma instituição (chame-se Banco Central, Superintendência da Moeda e Crédito, Sistema da Reserva Federal) que controlasse a capacidade dos bancos de criarem moeda ao concederem empréstimos e financiarem investimento e consumo. Hoje, porém, as grandes instituições financeiras usam seu poder para impedir qualquer projeto de instância reguladora . Isto faz parte (inegociável) da ideologia do “Estado mínimo”, que louva orçamentos modestos e déficits nulos. Mas, ao contrário do que prega sua ideologia, o governo Bush aumentou a intervenção econômica do Estado, para defender emprego e renda. Seu orçamento de US$ 3,1 trilhões carrega um déficit de US$ 410 bilhões (13,2% do orçamento, 2,9% do PIB). Já o Brasil pode fornecer a receita de como estabelecer superávits primários e superar as metas... De fato o novo Estado não é “mínimo”, pois socorre bancos em dificuldades, assumindo suas perdas. Nem poderia o poder público agir de outra forma, porque o sistema financeiro está conectado com todo o conjunto da economia e a ruína de um banco não favorece os concorrentes, mas coloca-os também em risco e isso atinge a economia real. Esta interligação é cada vez mais mundial. A ela se soma (em grande parte como conseqüência sua) a interligação global de etapas de produção. Cada vez mais, o processo de produção de bens se integra internacionalmente. Isto quer dizer que são cada vez menores as chances de um país escapar das conseqüências da crise voltando-se “para dentro”. Noutros momentos de crise internacional, a drástica redução das exportações agrícolas possibilitava o crescimento da pequena indústria e da agropecuária para o mercado interno. Mas hoje é pouco provável que ocorra algo semelhante. Este processo era possível porque a economia brasileira era compartimentada, sem relação orgânica entre a agroexportação e a lavoura de subsistência que se podia expandir marginalmente para atender o mercado interno. Hoje, a economia se integrou. Marcada pela desigualdade e pela subordinação setorial e regional, mas integrada. A isso se soma o dólar sub-avaliado, que dificulta o crescimento da indústria nacional. Pode-se imaginar que a crise force uma alteração neste parâmetro. Mas é bom não esquecer: o “preço” do dólar em reais depende da entrada e saída de capitais e estes têm forte teor especulativo: enquanto as taxas de juros continuarem nas alturas, não faltarão dólares para engordar as reservas internacionais do Brasil, hoje tão comemoradas. O governo e a mídia noticiam com ênfase que os haveres externos do Brasil superam em US$4 bilhões a dívida externa pública e privada. A notícia é boa, embora não seja “nunca antes neste país”: ao terminar a II guerra mundial, o superávit era de US$2,4 bilhões, e se desfez em dois anos e meio, numa enxurrada de importações. Convém ter presente que boa parte da dívida pública externa se transmutou em dívida pública interna com juros muito superiores . As contas públicas e o Estado “mínimo”. A derrota do governo na prorrogação da CPMF, analisada na análise de conjuntura de dezembro, deu ensejo a uma ampla ofensiva da grande mídia, apoiada pelo DEM e PSDB, contra os gastos públicos. Eles batem forte na política adotada por Lula para reaparelhar o Estado que vinha sendo desmontado por Collor e FHC. As atuais denúncias envolvendo os “cartões corporativos” são apenas uma nova escaramuça no sentido de enfraquecer essa política dita “estatizante”. Conquanto possa ter havido abusos, desvios e malversação de recursos públicos, o que está em questão não é a quantidade de recursos gastos por meio dos cartões (0,004% do total dos gastos da União, segundo Carta Capital), mas a sua própria existência como forma eficiente e transparente de funcionamento da máquina pública, o que vai contra a ideologia do Estado “mínimo”. A liberdade, entendida como direito de “usar e abusar” (ius utendi et abutendi), fundamenta a sociedade de mercado. A livre circulação do capital continua sendo a grande utopia: um Estado sem impostos, com o mínimo de funcionários, sem projeto e sem partidos políticos, onde os governantes se revezem por eleições em forma de espetáculo e o cidadão seja identificado com o consumidor. O Estado poderia ser reduzido à função de zelador da moeda, da propriedade privada e dos contratos, terceirizando ou privatizando todas as outras funções. Se isso é utopia, o esforço vai então no sentido de debilitar ao máximo o Estado que organiza cidadãos e cidadãs, reconhecendo-os como sujeitos de direitos inalienáveis. Pouco importa se os maiores escândalos financeiros são perpetrados por empresas privadas, com sua insaciável busca de lucro para atender a demanda de dividendos dos acionistas e investidores. Menos Estado e mais mercado, esta a receita neoliberal para a felicidade geral da Nação . Um exame das contas públicas, contudo, mostra que a maior despesa do Estado é com seus credores – os mesmos que clamam por um Estado “mínimo”. Nada menos que R$400 bilhões devem ser gastos este ano para financiar a dívida pública federal. Algo como R$140 a 150 bilhões em juros, e o restante no resgate de títulos a vencer. É evidente que o Tesouro não dispõe de quantia tão vultuosa (apesar de todo esforço para contenção de gastos, o governo não consegue economizar mais de R$80 bilhões para satisfazer os credores) e precisa recorrer a constantes leilões de títulos públicos, tomando novos empréstimos para pagar antigas dívidas. É isso que os credores mais querem no mundo: um devedor eternamente endividado mas pontual no pagamento dos juros. Manter o devedor – no caso, o Estado brasileiro – sob pressão num jogo de ameaças (fuga de capitais) e prêmios (receber a qualificação de investiment grade), é a tática das agências de investimento e dos bancos, cujos lucros não cessam de crescer. Acossado pelos credores, o Estado brasileiro poderia enfrentá-los e auditar essa dívida, cuja origem nem sempre é transparente. Mas isso exigiria uma força política que Lula avalia não dispor. Prefere, então, não questionar a dívida e pagá-la de modo o mais suave possível, isto é, reduzindo sua proporção sobre o PIB. Neste sentido, seu êxito é inquestionável. Ao assumir o governo, a dívida pública ultrapassava 60% do PIB, hoje, está se aproximando de 40%, ou seja, cresce menos do que a economia brasileira no seu conjunto. Isso nos leva a questionar sobre as possibilidades desse crescimento em 2008 e sua natureza. Crescimento lento e gradual, sim; mas seguro? Tudo indica, neste início de 2008, que teremos crescimento econômico. Modesto, mas claro. O sub-setor industrial que mais cresceu em 2007 foi o de máquinas e equipamentos (19,5%). Isso sinaliza um crescimento mais seguro e continuado. O risco da descontinuidade do crescimento vem de que o dólar continua sub-avaliado em termos reais de comparação com o real, o que estimula desproporcionalmente as importações. O emprego com carteira assinada tem o melhor resultado desde 1992. O crescimento é maior em serviços (16%) que em geral tendem a exigir qualificação escolar acima da média de nossa população economicamente ativa. Em compensação, de fato, cresceu também bastante bem (14%) a construção civil, que por enquanto ainda absorve mão de obra menos qualificada. A massa total de salários cresceu mais que o PIB (sobretudo em ocupações qualificadas e bem remuneradas). A renda do trabalho das classes A e B liderou este crescimento. Todos os que auferem rendimento do trabalho melhoraram um pouco, mas os do meio melhoraram mais e os de cima melhoraram muito. Esse crescimento do PIB segue o modelo produtivista-consumista e incorpora suas tecnologias. Ele favorece o grande capital, mas reduz o desenvolvimento ao aumento da produção e da produtividade, sem considerar a vida humana nem a saúde do Planeta. Ao adotá-lo, o governo Lula foi duramente criticado por setores da sociedade organizada que diverge de sua posição em relação ao plebiscito sobre a privatização da Vale do Rio Doce, as hidrelétricas do Rio Madeira, ao megaprojeto do rio São Francisco, a produção maciça de agrocombustíveis e aos transgênicos trazidos pela Monsanto, Syngenta e Cargill. Dois modelos de desenvolvimento. Para o Brasil, o crescimento econômico como fim em si mesmo requer prioridade ao agronegócio, à exportação (principalemente de commodities), à industrialização liderada pelo grande capital, ao investimento sem cálculos de custos sociais e ambientais, enfim, ao produtivismo-consumismo. Outro modelo é o projeto de desenvolvimento endógeno (fundado nos potenciais, forças, recursos naturais, materiais e humanos, e capitais brasileiros), tendo por fim a soberania, a solidariedade e a sustentabilidade. Ou seja, um desenvolvimento econômico e tecnológico a serviço do desenvolvimento humano e social. Ele assume o princípio da subsidiariedade e valoriza o poder local, não se envergonha de propor como prioridade a agricultura familiar e a agroecologia, a segurança alimentar antes da exportação, a industrialização planejada segundo as condições e necessidades regionais, o consumo sóbrio, consciente e solidário de bens, serviços e energia, e a auditoria da dívida pública para negociar o cancelamento da que tiver sido feita ou paga de forma ilegal ou ilegítima. Neste modelo, é a sociedade trabalhadora o seu protagonista principal, desde que o Estado lhe ofereça condições adequadas para empoderar-se para este papel. Isso implica, entre outras mudanças, a democratização da propriedade, a revalorização do trabalho, do saber e da criatividade, e um sistema educativo capaz de dinamizar a dimensão libertadora da cultura . A opção do governo Lula, expressa no Plano de Aceleração do Crescimento, reflete-se não só no seu distanciamento de setores de esquerda dos movimentos sociais, como nas ameaças à vida que hoje se manifestam no desmatamento da Amazônia e no aumento das mortes violentas no Brasil. É o que veremos mais a diante. II . Movimentos Sociais na atual conjuntura nacional. O jejum de Dom Luiz Cappio, no final do ano passado, contra o megaprojeto de transposição das águas do Rio São Francisco, mobilizou um significativo número de movimentos sociais, como também provocou debates e tomadas de posição de intelectuais de diferentes áreas, inclusive a teologia. Talvez a principal novidade tenha sido a discussão sobre o lugar da fé cristã num Estado laico. Enquanto um lado criticou a concepção de cristandade e até um possível “fundamentalismo” quando são ignoradas as necessárias mediações da Fé para a participação dos cristãos na construção de um país democrático, o outro lado reafirmou o imperativo ético da vida dos pobres como critério de julgamento de qualquer projeto político. Pela primeira vez em muitos anos, esse debate envolvendo setores da “esquerda católica” aconteceu de modo aberto e público, deixando clara a diferença de concepções. Não se pode ainda afirmar que aquela mobilização contra o projeto de transposição tenha representado um reascenso das forças sociais; mas com certeza, ela colocou em pauta o debate sobre o modelo de desenvolvimento que vem norteando as políticas do atual governo. Além da posição de direita, cuja ideologia impele a combater tudo que possa favorecer o reaparelhamento do Estado e insiste no modelo neoliberal de Estado “mínimo”, podemos distinguir hoje, no cenário político nacional, duas grandes tendências. Uma tendência, que vem perdendo força, mas ainda tem grande apelo na massa popular, é aquela que vê no governo Lula o grande mérito do realismo: não é o governo dos sonhos, mas é um bom governo, dado o contexto estrutural e global desfavorável a um projeto de mudanças radicais. A outra tendência, conquanto reconheça os avanços do governo Lula em comparação com seu antecessor, denuncia a sua opção por um desenvolvimento reduzido ao crescimento econômico, não questionando a subordinação dos capitais nacionais às cadeias produtivas e aos mercados dominados por capitais transnacionais e a subordinação do capital produtivo à hegemonia do setor financeiro-bancário. Ao mesmo tempo em que esses debates dividem os movimentos sociais entre os que apóiam o governo Lula e os que dele se afastam definitivamente, eles ajudam a construir um consenso interno em cada setor, que assim ganha maior capacidade de articulação ao unificar uma agenda dispersa. Não estaria aqui a possibilidade de retomada das lutas e movimentos sociais?
Neste sentido vale registrar a bandeira de luta em torno das questões energéticas, assumida pela Assembléia Popular que atualmente congrega mais de 50 entidades e se encontra em crescente processo de enraizamento nos Estados. Com um significativo potencial de educação política nas bases, ela se dispõe a articular as forças sociais em torno à construção de um projeto popular para o País. Neste ano, ela propõe à população discutir os problemas locais e municipais relacionados ao modelo energético vigente, que é predador, injusto e excludente. Colocam-se grandes desafios aos movimentos sociais, cujas forças são dispersas: organizações voltadas para as realidades do campo, outras voltadas para as lutas urbanas por moradia, emprego, segurança e o movimento sindical dando sinais de acomodação diante de alguns direitos trabalhistas garantidos na Constituição. Urge o fortalecimento de um projeto e um espaço comum que oriente a ação conjunta dos movimentos sociais nas bases, para além das leituras e práticas ideológicas de alguns dirigentes, entidades e centrais sindicais.
III . A vida ameaçada: Brasil e África A embate entre a concepção produtivista-consumista do desenvolvimento e a concepção ecológico-social está longe de ser um debate acadêmico ou desligado da realidade concreta. Ao contrário, seus efeitos práticos, na realidade vivida e morrida, são cada dia mais nítidos. Tomamos aqui três dessas realidades. A vida da Amazônia A Amazônia é um fator de vida para toda a humanidade. Reconhecida como fator de equilíbrio essencial para todo o planeta, tem a ver com a qualidade da vida global da Terra. O texto-base da CF de 2007, ao denunciar o processo de devastação em curso, apontava situações e ações que agridem a vida, os povos e o meio-ambiente da Amazônia. Infelizmente, ele não perdeu sua pertinência, pois observou-se um aumento do desmatamento da Amazônia nos meses de novembro e dezembro de 2007. O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais aponta o desmate atípico de quase 2.000 km² nesses dois meses, em um total de mais de 3.000 km² entre agosto e dezembro, seja um pouco mais do dobro que o ano anterior. Na verdade, a área real desmatada nesse período de 2007, pode chegar a 7.000 km². A ministra do Meio Ambiente aponta a expansão da pecuária e da soja como o principal fator de aumento do desmatamento. Exigir um compromisso dos grandes produtores rurais para reverter essa expansão é inócuo, pois o presidente da Comissão de Meio Ambiente da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil nega que o desmatamento tenha aumentado. Entretanto, a balança comercial do agronegócio fechou o ano de 2007 com o saldo recorde de quase US$ 50 bilhões, devido, sobretudo, ao aumento do preço internacional da soja e da carne bovina. E há uma correlação estatística direta entre os preços do boi e da soja, e o ritmo de desmatamento na Amazônia.
O agronegócio sempre se beneficiou das benesses dos governos, inclusive do atual. Estima-se o passivo do setor agrícola em R$130 bilhões e está em discussão a suspensão dos pagamentos das parcelas da dívida agrícola que se referem a financiamentos contraídos pelos produtores em 2004 com vencimento em janeiro, fevereiro e março deste ano. Ninguém acredita nas ameaças de corte de financiamento aos empresários rurais. O agronegócio só beneficia a minoria de trabalhadores qualificados e prestadores de serviço, pois a lógica do mais forte obriga os menos preparados e mais pobres a aceitarem regimes de trabalho análogos à escravidão. Somente no ano passado, foram liberadas 5.877 pessoas. Enquanto isso, a reforma agrária está praticamente paralisada, com o governo acuado pela “bancada ruralista”.
A riquíssima “sociobiodiversidade” da Amazônia continua ameaçada por muitas formas de devastação, ficando submetida aos interesses de pessoas e grupos ávidos de lucros que não se importam com a sua sobrevivência. A CF-2008 retoma a defesa da vida na mesma linha, denunciando a lógica que tudo submete ao valor econômico e instrumentaliza a própria vida em função do lucro ou da satisfação de interesses individuais. O desenvolvimento produtivista-consumista aumenta a riqueza geral, mas não atinge as estruturas de injustiça que geram violência e exclusão. A vida humana Muitas são as ameaças à vida, mas entre elas destaca-se, por sua intensidade, a violência endêmica e o crime organizado, que ceifam numerosas vidas (44,6 mil homicídios em 2006, grande parte em plena juventude). Um milhão de mortes violentas nos trinta últimos anos deveria questionar a lógica do mercado e sua cultura de “levar vantagem”. Apesar dos êxitos de programas sociais como o Bolsa-Família, o que está havendo não são mudanças de ordem estrutural, mas a consolidação das antigas estruturas geradoras de desigualdade. Doenças ligadas à pobreza, como diarréia, desnutrição, malária e tuberculose matam 33,5 mil pessoas por ano (dado de 2005), mais que o total de vítimas de acidentes de trânsito, (30 mil). Outras 49 mil pessoas morrem sem assistência médica. É preciso considerar que a pobreza e a desnutrição são causas de morte, pois fragilizam o organismo e o expõem a maiores riscos, como no caso de pneumonia. Impressiona também o número de vidas privadas de nascer bem e serem acolhidas no banquete da vida. É grande o número de mulheres atendidas pelo SUS em decorrência de complicações relacionadas ao aborto (250 mil internações em 2006). Na maioria dos casos, trata-se de um recurso desesperado, movido pelo instinto de sobrevivência, que não depende de justificativas como o pretenso “direito ao aborto”. Não é fora de propósito dizer que, na medida em que a razão abortista associa o direito à propriedade do corpo à propriedade da terra, da água e dos bens de produção, ela é regida pela mesma razão instrumentalista da concepção produtivista-consumista em vigor na sociedade. Esta é a ideologia mais difundida no mundo. Ideologia que vem acompanhada pela força das armas, sempre a serviço dos mais fortes. Triste exemplo dessa prepotência armada é o assassinato de 86 indígenas no ano de 2007, 53 dos quais no Mato Grosso do Sul, devido ao seu confinamento, principalmente os Guarani. Continuam sendo mortos lideres indígenas que se opõem aos interesses de grandes fazendeiros. O grupo Guarani que luta para retomar sua terra (Kurussu Ambá) perdeu, em 2007 a rezadeira Xurete Lopes, de 70 anos, e Ortiz Lopes, assassinado na porta de seu barraco, segundo testemunhas, a mando de um fazendeiro. Animados pelo Programa de Aceleração do Crescimento os adversários dos povos indígenas reforçaram suas ações no sentido de barrar novas conquistas indígenas e derrotá-los nos três poderes da República. Não faltam exemplos: as ações judiciais contra a homologação de territórios já demarcados; a retomada de projetos de lei que favoreçam a mineração em terras indígenas; a criminalização de lideranças indígenas no nordeste, o precário atendimento à saúde indígena, e a deterioração dos rios e matas de territórios indígenas devido à exploração agropecuária ou mineral em terras vizinhas. É preocupante o que ocorre com a Terra Indígena Raposa Serra do Sol, cuja homologação está sofrendo uma série de contestações no Supremo Tribunal Federal, enquanto arrozeiros invasores fazem declarações e ações provocativas e setores militares não acatam a ordem de proceder à desintrusão do território homologado em abril de 2005. É preocupante, também, a situação dos remanescentes de quilombos, cujos direitos constitucionais estão ameaçados pela cobiça dos grandes proprietários de terra. A África na tormenta A África sofre nestes últimos meses, pelo menos três trágicos conflitos que matam centenas de pessoas, deslocam populações inteiras, destroem a economia e desestabilizam o país. Não por acaso, os conflitos mais agudos coincidem com áreas ricas em minérios ou petróleo. Chade. A ofensiva, no começo de fevereiro, de tropas rebeldes sobre Ndjamena, capital do país, aconteceu na véspera do envio da força de paz de 3.700 soldados da União Européia, no Sudão, no Chade e na República Centroafricana, após intensa preparação. O apoio do Sudão à rebelião contra o governo do Chade é claro. Seu objetivo foi de impedir a chegada de contingentes internacionais na região e assim manter seu apoio às milícias árabes nômades que expulsam as populações sedentárias do Darfur para se apropriar das terras. Seu governo já foi condenado pela ONU, mas recusa a presença de tropas de paz nas fronteiras dos três países e faz tudo para que sejam enviados apenas soldados da União Africana, cuja presença em outros conflitos se revelou inútil. Diante da ofensiva contra Ndjamena muita gente fugiu para os Camarões. A situação da região se torna ainda mais instável porque o Chade produz petróleo e a França tem importantes interesses nesta região. Darfur. A guerra já faz 4 anos, com mais de 200 mil mortos e 2 milhões de deslocados. Hordas de milicianos árabes montados em cavalos e camelos chegam às aldeias para matar homens, violar mulheres (muitas são levadas como escravas sexuais) e roubar tudo o que encontram. Grupos de Direitos Humanos e governos ocidentais tentam, em vão, conseguir que a ONU qualifique a atuação do governo de Cartum de genocídio, o que implicaria sanções imediatas. Agências de ajuda denunciam que há um milhão de crianças em risco de desnutrição e que muitas morrem nos campos de refugiados, cercados pelas milícias. Ilha de prosperidade e estabilidade na conturbada África do Leste, o Quênia parece ser levado por uma onda de auto-destruição. Mais de mil pessoas morreram no mês que seguiu as eleições de dezembro de 2007, cujo resultado foi contestado pela oposição que denuncia uma fraude massiva. As violências se enraízam nas rivalidades inter-étnicas, herdadas do período colonial. Os Kalenjin saqueiam e queimam os bens dos Kikuyu – etnia do presidente Kibaki – que se declarou reeleito. Apesar duma boa taxa de crescimento (6,1% em 2006), há crescentes desigualdades sociais e econômicas entre os dois grupos. Uma grande maioria dos quenianos continua vivendo na pobreza e miséria; 10% deles possuem a metade das riquezas do país. Também na África, sob o manto de conflitos étnicos ou tribais, o direito de “usar e abusar” fundamenta o individualismo moderno e reduz o mundo a um conjunto de “coisas” a serem usadas. Enquanto essa visão prevalecer, a humanidade continuará cortando o galho da vida planetária sobre o qual está sentada. “Escolhe, pois, a vida” é escolher a vida e um futuro esperançoso para si e seus descendentes, e não a morte que reside nas “coisas” a que foram reduzidos os seres humanos, o Planeta e todo seu complexo sistema de vida. Das nossas escolhas depende a vida humana e o futuro da vida na Terra, nossa casa comum. 40 anos depois da Populorium progressio, caberia inverter a célebre expressão de Paulo VI e proclamar que “a paz é o novo nome do desenvolvimento”. IV . Notícias do Congresso Nacional Os trabalhos legislativos de 2008 no Congresso Nacional tiveram início com um clima tenso. Os festejos de abertura do Parlamento foram ofuscados pelas notícias do mau uso dos cartões corporativos, o que deu lugar à CPI para apurar esse tipo de gasto do dinheiro público. A mensagem do Presidente Lula, levada pela Ministra-chefe da Casa Civil, destaca a vontade de priorizar neste ano as áreas de segurança, educação e saúde. Já os Presidentes do Senado e o da Câmara insistem na necessidade de novas regras para as Medidas Provisórias, sobretudo por causa da paralisação das votações ordinárias e do esvaziamento da função própria ao Legislativo como criador das leis. Por outro lado, o próprio Presidente do Congresso reconhece o Parlamento tem ficado aquém das expectativas nacionais, como aliás é confirmado pelas pesquisas de opinião. Assim mesmo, o Congresso até agora se concentrou demais na criação da CPI dos Cartões Corporativos, enquanto há mais de 800 projetos na fila para serem votados: 667 na Câmara e 225 no Senado. Entre as prioridades das duas casas para este ano estão: o fim do voto secreto, regulamentação das MPs?, apreciação dos vetos da Presidência da República, reforma política, reforma tributária... Mas, na Câmara, as MPs? estão trancando a pauta e as Comissões ainda não foram instaladas. No Senado, continuam as mesmas comissões do ano passado. Não devemos portanto ser muito otimistas em relação ao trabalho legislativo ordinário para o ano de 2008. Frentes Parlamentares promovem encontro em defesa da vida A Frente Parlamentar em Defesa da Vida - Contra o Aborto e a Frente Parlamentar Contra a Legalização do Aborto promoveram no dia 20.02 o 1º Encontro Brasileiro de Legisladores e Governantes pela Vida. O evento reuniu vereadores, prefeitos, governadores, deputados e senadores de todas as regiões do País, além de parlamentares estrangeiros. Entre outros temas, foram discutidas: políticas internacionais de controle da população mundial e os desafios da legalização do aborto. O objetivo do evento era estabelecer uma articulação nacional e a mobilização das lideranças políticas pela defesa da vida desde a concepção. A iniciativa é resultado do 1º Encontro Latino-Americano de Legisladores e Governantes pela Vida, ocorrido em Santiago do Chile em novembro passado, e culminará no 1º Encontro Mundial de Legisladores e Governantes pela Vida, em Madri, neste ano. O segundo, previsto para 2009, deverá ser realizado no Brasil. No fim do encontro, foi aprovado um manifesto a ser entregue ao presidente da República e aos presidentes da Câmara e do Senado. Foi eleita uma comissão nacional para coordenar o encontro de 2009. O Presidente da Frente em Defesa da Vida – contra o aborto defendeu a criação de uma CPI para investigar o comércio clandestino de aborto e sua prática no Brasil. TV Pública acirra polêmica na Câmara A Medida Provisória da TV Brasil foi destaque da pauta na Câmara. Matéria polêmica, porque cria a Empresa Brasil de Comunicação, à qual está subordinada a TV Brasil, rede pública nascida da fusão da Radiobrás com a Associação de Comunicação Educativa Roquette Pinto. O parecer do relator alterou substancialmente o texto original da Presidência da República, ao instituir nova fonte de receita para a TV e introduzir na programação limites mínimos para conteúdos regionais – definidos como aqueles produzidos no estado, com a maior parte da equipe técnica e artística de residentes locais. O projeto foi aprovado na Câmara, na forma de projeto de lei, e agora vai para o Senado. Suplentes de Senador Várias Propostas de Emendas à Constituição sobre a questão dos suplentes de senadores estão na pauta da Comissão de Constituição e Justiça do Senado. Entre as idéias colocadas nas propostas está a de adotar o mesmo sistema de substituição da Câmara: o segundo mais votado assumiria o cargo na ausência ou afastamento do titular. Na situação atual, têm sido muitos os casos em que os suplentes a senador assumem a pasta sem ter recebido nenhum voto, o que fere o princípio da representatividade. Este tema tem sido integrado nas propostas de Reforma Política. Cassações por corrupção eleitoral no país Os candidatos dos mais de 5.500 municípios brasileiros, que irão às urnas em outubro próximo, têm que estar atentos à a Lei nº 9.840, de iniciativa popular. Desde que entrou em vigor, em 2000, o número de cassações por corrupção eleitoral no país subiu bastante. 623 políticos foram cassados: 508 prefeitos e vice-prefeitos, 84 vereadores, 8 deputados federais, 6 senadores e suplentes, 3 deputados estaduais ou distritais, e 2 governadores e seus vices. Esses números se referem a políticos cassados por captação ilícita de sufrágio, condutas vedadas aos agentes públicos e abuso de poder, apurados através de representações, investigações judiciais eleitorais, recursos contra a diplomação e ações de impugnação de mandato eletivo. Levantamento apresentado pelo Movimento Contra a Corrupção Eleitoral, em outubro passado, mostra que os estados com maior número de políticos cassados foram Minas Gerais, Rio Grande do Norte e São Paulo. Segundo a Corregedoria Geral Eleitoral, ainda tramitam na Justiça Eleitoral 1.100 processos relativos às eleições de 2006. Causa grande apreensão, porém, a decisão tomada pelo TSE na noite do dia 21 de fevereiro, que anula o processo de cassação movido contra o governador Luiz Henrique, de Santa Catarina, para que seja citado também o vice. Se essa tese vingar, atingirá outros processos judiciais, como o que envolve o governador Cássio Cunha Lima, da Paraíba e muitos prefeitos. O Movimento Contra a Corrupção Eleitoral está buscando meios de obter uma revisão dessa decisão no próprio TSE. Para as eleições deste ano, o Movimento Contra a Corrupção Eleitoral lançou uma campanha para aumentar os comitês locais e levar a discussão do voto consciente para maior número de pessoas. Segurança em compasso de espera Um ano após o assassinato brutal do menino João Hélio Fernandes, e 21 meses após os atentados da principal facção criminosa de São Paulo, ainda não saíram do papel os dois pacotes de segurança pública propostos pelo Congresso. De acordo com parlamentares envolvidos na discussão, a quase totalidade dessas propostas continua engavetada. Das 35 proposições que compunham os dois pacotes, somente duas foram transformadas em lei. Uma delas é o Projeto de Lei 7225/2006 que classifica como falta disciplinar grave do presidiário e crime do agente penitenciário o uso de telefone celular em presídios. A outra medida que vingou foi o Projeto de Lei 6793/2006, de autoria do Executivo, que obriga os condenados por crime hediondo a cumprirem pena inicialmente em regime fechado, com o benefício de progressão de regime concedido só depois de cumprido 1/3 da pena. Outra proposta que, por força constitucional, terá de receber tratamento prioritário é a Medida Provisória 416/2008, que institui o Programa Bolsa-Formação para a qualificação profissional dos integrantes das polícias militar e civil, do corpo de bombeiros, peritos e agentes carcerários e penitenciários. A matéria está pronta para a apreciação do plenário. Maioridade penal A questão da redução da maioridade penal foi pautada no senado, mas não foi votada. A proposta divide radicalmente os parlamentares. As estatísticas mostram que a maioria dos crimes violentos do Brasil – mais de 98% – não envolvem a participação de menores de 18 anos. Então, o impacto real da redução da maioridade penal é baixíssimo. Também é um debate que esbarra em obstáculos jurídicos formais, atinentes à questão de ser ou não uma cláusula pétrea –insuscetível de mudança. Enfrentará também obstáculos políticos, porque é difícil reunir 3/5 num tema como esse.
Contribuíram para esta análise Pe. Antonio Abreu SJ, Pe. Bernard Lestienne SJ e Pe. Thierry Linard SJ (membros do IBRADES), Ir.Delci Franzen, Paulo Maldos e Pe. Ernanne Pinheiro
Pedro A. Ribeiro de Oliveira PUC-Minas e ISER-Assessoria
Pontifício Conselho para Emigrantes
e Itinerantes condena tráfico de seres humanos
sexta: 15 de fevereiro de 2008 “O tráfico de seres humanos é um dos fenômenos mais vergonhosos da nossa era”, definiu o secretário do Pontifício Conselho da Pastoral dos Emigrantes e Itinerantes, arcebispo Agostino Marchetto, ao intervir ontem, 13, no Foro para a Luta contra o Tráfico de Seres Humanos, que se encerra hoje, em Viena, Áustria. “Sabe-se que a pobreza, a falta de oportunidades e a coesão social motivam as pessoas a buscar um futuro melhor, apesar dos perigos que possam implicar e lhes tornar extremamente vulneráveis ao comércio de seres humanos”, afirmou. Segundo dom Agostino, nos dias de hoje, há diversos fatores que contribuem para a difusão deste crime, como por exemplo a ausência de normas específicas em alguns países, a ignorância dos próprios direitos por parte das vítimas e a estrutura sócio-cultural e das guerras. O bispo disse ainda que a “Santa Sé estimula todas as iniciativas justas encaminhadas a erradicar o fenômeno imoral e criminoso, assim como a promoção do bem-estar das vítimas”. “O Protocolo de Palermo e as convenções regionais sucessivas têm dado passo a uma exaustiva jurisprudência internacional contra o tráfico de seres humanos. Por outro lado, a Santa Sé expressa sua satisfação pela entrada em vigor, no início deste mês, da Convenção do Conselho da Europa contra o tráfico de seres humanos”, acrescentou dom Agostino.
Missa em Anapu lembra 3 anos de morte da Ir.
Dorothy Stang
sexta: 15 de fevereiro de 2008
Uma missa em memória à Ir. Dorothy Stang, ocorrida no último dia 12, reuniu a comunidade de Anapu (PA), na paróquia Santa Luzia, local onde seu corpo repousa e que se tornou espaço de peregrinação. Segundo a assessora da Comissão Episcopal para a Amazônia, Ir. Cecília Tada, presente na celebração, “a população associou o sacrifício da Ir. Dorothy ao de Jesus, na certeza de que em Deus ela continua presente no meio das pessoas”. “Dorothy vive sempre. Não está mais entre a população sofrida, mas o seu espírito se faz presente no espírito de luta de muitos que, aos poucos, resgatam a audácia e a coragem reprimidas pela violência das ameaças e mortes que continuam a acontecer na Região”, afirmou Ir. Cecília. De acordo com a assessora, nos vários pronunciamentos feitos durante as celebrações, seja pelo bispo de Xingu (PA), dom Erwin Kräutler, ou por representantes de movimentos, a tônica foi de lamentação diante das grandes promessas políticas do Governo, do Ministério Público, Incra e Ibama, em regularizar a situação fundiária e florestal no Pará. Além disso, denunciaram a devastação da floresta, os manejos florestais ilegais, caminhões de madeireiros que circulam livremente; cobraram justiça contra o mandante do crime da Ir. Dorothy e de tantos outros que foram assassinados. O encerramento da celebração foi marcado pela apresentação do cantor e compositor Zé Vicente
15.02.08 - BRASIL Brasil - Homenagem a Dom Pedro80 anos ultraleve de Deus Paulo Suess *
Adital - Profeta, posseiro do tempo que aras com pena de poeta e asas de ultraleve. Missionário místico, maracá do Reino, mártir de raspão, testemunha sempre. Peregrino das Américas, veleiro em alto-mar onde paz e tempestade se abraçam no perdão. Sinal de contradição, sino de esperança desde o mundo indígena badalando indignação. Irmão dos pobres, raiz com asa cata-vento de Deus romeiro sem casa. Trigo perdido na margem do Araguaia utopia nas encruzilhadas da memória do povo. Apareceste entre os humanos em tempo de vacas magras, lutaste para virar o mundo, ao avesso, para todos.
Foto: servicioskoinonia.org Trocaste a carreira pelo Caminho, a correria pela caminhada, o grito pela canção - Quixote e Macunaíma. Lutaste por terra para viver, sonhaste vinho para todos e pão - como tua vida - consagrado, repartido. Das pedras fizeste caminhos e pontes, das perdas e dores novos horizontes. Pedro, divina energia pedra preciosa dom de Deus, presente, Eucaristia. Paulo Suess
- Missiólogo. Membro do Conselho Indigenista Missionário (CIMI)
15.02.08 - BRASIL Brasil - Homenagem a Dom Pedro80 anos ultraleve de Deus Paulo Suess *
Adital - Profeta, posseiro do tempo que aras com pena de poeta e asas de ultraleve. Missionário místico, maracá do Reino, mártir de raspão, testemunha sempre. Peregrino das Américas, veleiro em alto-mar onde paz e tempestade se abraçam no perdão. Sinal de contradição, sino de esperança desde o mundo indígena badalando indignação. Irmão dos pobres, raiz com asa cata-vento de Deus romeiro sem casa. Trigo perdido na margem do Araguaia utopia nas encruzilhadas da memória do povo. Apareceste entre os humanos em tempo de vacas magras, lutaste para virar o mundo, ao avesso, para todos.
Foto: servicioskoinonia.org Trocaste a carreira pelo Caminho, a correria pela caminhada, o grito pela canção - Quixote e Macunaíma. Lutaste por terra para viver, sonhaste vinho para todos e pão - como tua vida - consagrado, repartido. Das pedras fizeste caminhos e pontes, das perdas e dores novos horizontes. Pedro, divina energia pedra preciosa dom de Deus, presente, Eucaristia. Paulo Suess
- Missiólogo. Membro do Conselho Indigenista Missionário (CIMI)
Deputada Luíza Erundina faz análise de conjuntura no ENP sexta: 15 de fevereiro de 2008
Encerrando as atividades do segundo dia do 12o Encontro Nacional de Presbíteros (ENP), nesta quinta-feira, 14, a deputada Luíza Erundia falou aos 450 padres fazendo uma análise da conjuntura política e econômica do país. Na sua análise, a deputada criticou o crescimento do país que avaliou como muito pequeno. “Estamos estagnados. Países com menos recursos potenciais que o Brasil estão à nossa frente. A média mundial gira em torno de 4% enquanto o Brasil não consegue ultrapassar os 3%”.
A deputada afirmou que o Brasil se beneficiou muito do crescimento econômico dos países ricos nos últimos cinco anos. “Na medida em que países ricos crescem, o capital excedente aumenta e, consequentemente, eles passam a ter mais possibilidade de investir em países como o Brasil”, disse. Para Erundina, essa é uma das razões pela qual é possível afirmar que os indicadores macroeconômicos do Brasil “não são frutos de um acerto do atual governo, mas de uma situação econômica favorável na vida dos países desenvolvidos”. Segundo a deputada, a crise da economia norte-americana é sinal de que as coisas não vão bem. “A reação diante desse quadro de crise, que beira à recessão, é o fortalecimento da produção de tecnologia militar. A venda de armas é uma das saídas que o governo norte-americano procura utilizar. Contudo, para que armas sejam vendidas, é preciso que haja guerras. E aí eles investem em guerras artificiais,” explica. Na sua opinião, também o crescimento da China preocupa os Estados Unidos. “Do ponto de vista da geografia política o crescimento da China é bastante interessante. Desde a queda da União Soviética o mundo convive apenas com um pólo. Dentro desse contexto, a China pode se tornar um outro polo”. Ao se referir à América Latina, Erundina aponta a integração regional (Cone Sul) como forma de fortalecer o poder dos países, desde que não fique apenas no plano comercial, mas também nível político, social e cultural. “Vemos muitos países resgatando a soberania nacional, destruindo a idéia de um Estado mínimo, presente em toda política neoliberal. O Brasil tem que investir mais nessa integração regional. É por isso que não perdôo o Lula por ter chamado Bush de companheiro”, enfatizou a deputada. Papel da Igreja Ao ser perguntada sobre qual o papel da Igreja diante deste cenário, Erundina respondeu que a Igreja deve continuar formando e organizando o povo. “A motivação para minha ação veio, em primeiro lugar da Igreja e do Evangelho vivo”, justificou. Em entrevista exclusiva à assessoria de imprensa do ENP, a deputada que a diversidade de tantos padres lhe chamou a atenção no Encontro dos Presbíteros. “Chamou minha atenção a diversidade de origem, de idade, e experiência e de compreensão das coisas. É um grupo muito rico e expressa a realidade da diversidade da Igreja no Brasil”, considerou. Também o clima de informalidade do encontro foi destacado por Luíza Erundina. “Tinha uma energia circulando entre vocês que denuncia a presença de Deus entre vocês”. Para ela o encontro dos presbíteros “é o encontro da Igreja antenada com o povo, com os seus anseios e seus problemas”. Para ela, os padres devem continuar “ajudando o povo a acordar para ler a realidade com sua cabeça, fazendo-o a acreditar em si mesmo. Essa é a força que vai mudar o país”.
Voltar
Site Official da CNBB - Conferência Nacional dos Bispos do Brasil - Todos os direitos reservados.
Título
Este é o primeiro de uma série de oito boletins que foramproduzidos pelo Núcleo de Estudos Sociopolíticos da Arquidiocese de Belo Horizonte em parceria com o Programa de Pós-graduação em Ciências da Religião da PUC de Minas Gerais. Leia e divulgue! Pode ser reproduzido e publicado livremente, desde que citada a fonte. Clique aqui para "baixar" o documento na íntegra. Silvestre dos Santos Lima Comissão de Comunicação do CNLB
PROJETO ELEIÇÕES 2008
BOLETIM no. 1 – Fevereiro
FÉ E POLÍTICA: Uma Missão Possível Você está recebendo o primeiro de uma série de oito boletins que foram produzidos pelo Núcleo de Estudos Sociopolíticos da Arquidiocese de Belo Horizonte em parceria com o Programa de Pós-graduação em Ciências da Religião da PUC de Minas Gerais. A Igreja acredita que a participação de eleitores bem informados contribuirá para que as eleições municipais deste ano sejam um passo importante na construção de uma sociedade mais justa, mais pacífica e mais harmoniosa. Muita gente diz: “votar pra quê? A gente vota, muda prefeito, muda vereador, mas parece que pouca coisa muda... Veja só: no meu bairro a Prefeitura construiu um centro de saúde todo bonito, mas até hoje praticamente não tem médico atendendo. Só funciona pra vacinação e olhe lá... Já reclamamos com um vereador que se diz representante do bairro, mas ele só dá desculpa esfarrapada... Eu voto porque é obrigatório...” Essas pessoas desanimam da política quando vêem coisas mal feitas. Mas nós não desanimamos! Ao contrário: o que estiver ruim, pode ser consertado; o que estiver bom, pode ficar ainda melhor! Este boletim foi escrito por pessoas que vêem a política como uma “forma sublime de praticar o amor ao próximo” e que estudam a fundo nossa realidade, buscando caminhos para melhorar nossa sociedade. Queremos partilhar com você os resultados do nosso trabalho, porque estamos convencidos de que a participação consciente do maior número possível de cidadãos é o caminho mais eficaz para construir em nosso País uma verdadeira Democracia: política, social, cultural, étnica e econômica. POLÍTICAS PÚBLICAS Vamos começar falando da participação da sociedade na definição das políticas públicas. Sua história começa há quase 800 anos. Isto mesmo: em 1215, quando os nobres da Inglaterra se revoltaram contra os altos impostos cobrados pelo rei. Para conter a revolta, o rei assinou a Magna Carta que, entre outras concessões de ordem jurídica (como o habeas corpus) e política (submissão do rei às normas da lei), instituiu o controle dos impostos por um Conselho de Barões. Até então, o poder do rei era absoluto: obrigava seus súditos a pagarem impostos e usava o dinheiro arrecadado como bem quisesse. A partir daí, ele só poderia cobrar impostos com autorização do Conselho que dizia em quê o dinheiro deveria ser usado. Naquela época nem se pensava em participação democrática, do povo todo. Somente os nobres tinham assento no Conselho do Reino. Mas ali foi lançada a semente do Estado Constitucional moderno. Surpreendente, é que muita gente até hoje não entende que quem paga imposto tem direito a decidir sobre sua utilização. Os barões ingleses entenderam isso muito bem, mas reservaram esse direito para si. Só com muito tempo e muita luta política esse direito foi-se estendendo até o povo. Este é um dos desafios do Estado democrático: criar instrumentos que permitam a todo contribuinte decidir sobre o destino de seus impostos. Esta é uma das mais antigas conquistas da democracia: quem exerce o poder público (rei, presidente, ministro, prefeito) não é dono dos recursos arrecadados, mas sim uma espécie de gerente. Ele deve administrar a coisa pública, destinando os recursos conforme o destino decidido pelos cidadãos e cidadãs. Aqui chegamos ao ponto-chave: todos pagamos impostos, queiramos ou não, porque os impostos sobre o consumo, por exemplo, incidem sobre qualquer coisa que se compre. Mas pouca gente, muito pouca gente, decide sobre o destino a ser dado aosimpostos, isto é em quê e como eles devem ser gastos. Decidir sobre o destino que deve ser dado aos recursos arrecadados pelos impostos é uma das principais atribuições de quem faz política. Essa decisão cabe, em última instância, às pessoas que nós mesmos escolhemos para, em nosso nome, decidir sobre quanto gastar em qual área de interesse geral da população. Em outras palavras, elegemos governantes e legisladores para usarem o dinheiro dos impostos arrecadados em políticas públicas. Todas as medidas e disposições governamentais que atingem a sociedade, influenciando as condições de existência dos cidadãos, são chamadas de políticas públicas. Elas podem afetar os mais diversos setores da vida coletiva; por isso tratam da política econômica, ambiental, previdenciária, industrial, de segurança, de telecomunicações, tecnológica, prisional, cultural, energética, de relações internacionais, educacional, de saúde, monetária e outras. Algumas só podem ser definidas em âmbito federal (p.ex. defesa nacional) ou estadual (p.ex. segurança pública), mas as mais próximas do nosso dia-a-dia – as pol íticas sociais – ensino fundamental, saúde, lazer, transporte urbanos, saneamento e abastecimento de água etc., são definidas pelos poderes municipais. Daí a importância das eleições deste ano: nelas escolheremos quem vai definir os rumos das políticas públicas no município onde vivemos.
IMPORTÂNCIA DA PARTICIPAÇÃO Ao produzir e distribuir este boletim, a Igreja está convidando você e todas as pessoas de boa-vontade, para unirmos nossas forças e, com entusiasmo e esperança, influirmos positivamente nas eleições municipais deste ano. Não se trata de indicar partido nem candidatos, mas sim de colaborar para a construção de um município mais justo, harmonioso, pacífico e ecologicamente equilibrado. Queremos assim realizar a vocação dos discípulos e missionários de Jesus que se colocam a serviço do Reino de Deus – e isso significa, em sua dimensão política, uma sociedade conforme a promessa bíblica: “Amor e fidelidade se encontram, justiça e paz se abraçam. A fidelidade brotará da terra, e a justiça se inclinará do Céu“ (Salmo 85 (84).” Para aproveitar bem este material, de modo a participar das próximas eleições não apenas como uma obrigação, mas como uma contribuição consciente para melhorar o município, sugerimos o seguinte: · Leve este boletim e convide outras pessoas de seu relacionamento para também lerem e juntos debaterem o tema proposto. · Reflitam juntos sobre a relação entre o dever de pagar imposto e o direito de votar. · Se o grupo achar que foi proveitoso, marque nova reunião dentro de um mês, para a leitura e o debate sobre o tema do próximo boletim.
Folheto produzido pelo Núcleo de Estudos Sociopolíticos da Arquidiocese de Belo Horizonte em parceria com o Programa de Pós-graduação em Ciências da Religião – PUC Minas. Mais informações no site www.pucminas.br/nesp, ou no Vicariato para Ação Social e Política:(31)34224430
PROJETO ELEIÇÕES 2008
BOLETIM no. 1 – Fevereiro
FÉ E POLÍTICA: Uma Missão Possível Você está recebendo o primeiro de uma série de oito boletins que foram produzidos pelo Núcleo de Estudos Sociopolíticos da Arquidiocese de Belo Horizonte em parceria com o Programa de Pós-graduação em Ciências da Religião da PUC de Minas Gerais. A Igreja acredita que a participação de eleitores bem informados contribuirá para que as eleições municipais deste ano sejam um passo importante na construção de uma sociedade mais justa, mais pacífica e mais harmoniosa. Muita gente diz: “votar pra quê? A gente vota, muda prefeito, muda vereador, mas parece que pouca coisa muda... Veja só: no meu bairro a Prefeitura construiu um centro de saúde todo bonito, mas até hoje praticamente não tem médico atendendo. Só funciona pra vacinação e olhe lá... Já reclamamos com um vereador que se diz representante do bairro, mas ele só dá desculpa esfarrapada... Eu voto porque é obrigatório...” Essas pessoas desanimam da política quando vêem coisas mal feitas. Mas nós não desanimamos! Ao contrário: o que estiver ruim, pode ser consertado; o que estiver bom, pode ficar ainda melhor! Este boletim foi escrito por pessoas que vêem a política como uma “forma sublime de praticar o amor ao próximo” e que estudam a fundo nossa realidade, buscando caminhos para melhorar nossa sociedade. Queremos partilhar com você os resultados do nosso trabalho, porque estamos convencidos de que a participação consciente do maior número possível de cidadãos é o caminho mais eficaz para construir em nosso País uma verdadeira Democracia: política, social, cultural, étnica e econômica. POLÍTICAS PÚBLICAS Vamos começar falando da participação da sociedade na definição das políticas públicas. Sua história começa há quase 800 anos. Isto mesmo: em 1215, quando os nobres da Inglaterra se revoltaram contra os altos impostos cobrados pelo rei. Para conter a revolta, o rei assinou a Magna Carta que, entre outras concessões de ordem jurídica (como o habeas corpus) e política (submissão do rei às normas da lei), instituiu o controle dos impostos por um Conselho de Barões. Até então, o poder do rei era absoluto: obrigava seus súditos a pagarem impostos e usava o dinheiro arrecadado como bem quisesse. A partir daí, ele só poderia cobrar impostos com autorização do Conselho que dizia em quê o dinheiro deveria ser usado. Naquela época nem se pensava em participação democrática, do povo todo. Somente os nobres tinham assento no Conselho do Reino. Mas ali foi lançada a semente do Estado Constitucional moderno. Surpreendente, é que muita gente até hoje não entende que quem paga imposto tem direito a decidir sobre sua utilização. Os barões ingleses entenderam isso muito bem, mas reservaram esse direito para si. Só com muito tempo e muita luta política esse direito foi-se estendendo até o povo. Este é um dos desafios do Estado democrático: criar instrumentos que permitam a todo contribuinte decidir sobre o destino de seus impostos. Esta é uma das mais antigas conquistas da democracia: quem exerce o poder público (rei, presidente, ministro, prefeito) não é dono dos recursos arrecadados, mas sim uma espécie de gerente. Ele deve administrar a coisa pública, destinando os recursos conforme o destino decidido pelos cidadãos e cidadãs. Aqui chegamos ao ponto-chave: todos pagamos impostos, queiramos ou não, porque os impostos sobre o consumo, por exemplo, incidem sobre qualquer coisa que se compre. Mas pouca gente, muito pouca gente, decide sobre o destino a ser dado aos impostos, isto é em quê e como eles devem ser gastos. Decidir sobre o destino que deve ser dado aos recursos arrecadados pelos impostos é uma das principais atribuições de quem faz política. Essa decisão cabe, em última instância, às pessoas que nós mesmos escolhemos para, em nosso nome, decidir sobre quanto gastar em qual área de interesse geral da população. Em outras palavras, elegemos governantes e legisladores para usarem o dinheiro dos impostos arrecadados em políticas públicas. Todas as medidas e disposições governamentais que atingem a sociedade, influenciando as condições de existência dos cidadãos, são chamadas de políticas públicas. Elas podem afetar os mais diversos setores da vida coletiva; por isso tratam da política econômica, ambiental, previdenciária, industrial, de segurança, de telecomunicações, tecnológica, prisional, cultural, energética, de relações internacionais, educacional, de saúde, monetária e outras. Algumas só podem ser definidas em âmbito federal (p.ex. defesa nacional) ou estadual (p.ex. segurança pública), mas as mais próximas do nosso dia-a-dia – as políticas sociais – ensino fundamental, saúde, lazer, transporte urbanos, saneamento e abastecimento de água etc., são definidas pelos poderes municipais. Daí a importância das eleições deste ano: nelas escolheremos quem vai definir os rumos das políticas públicas no município onde vivemos.
IMPORTÂNCIA DA PARTICIPAÇÃO Ao produzir e distribuir este boletim, a Igreja está convidando você e todas as pessoas de boa-vontade, para unirmos nossas forças e, com entusiasmo e esperança, influirmos positivamente nas eleições municipais deste ano. Não se trata de indicar partido nem candidatos, mas sim de colaborar para a construção de um município mais justo, harmonioso, pacífico e ecologicamente equilibrado. Queremos assim realizar a vocação dos discípulos e missionários de Jesus que se colocam a serviço do Reino de Deus – e isso significa, em sua dimensão política, uma sociedade conforme a promessa bíblica: “Amor e fidelidade se encontram, justiça e paz se abraçam. A fidelidade brotará da terra, e a justiça se inclinará do Céu“ (Salmo 85 (84).” Para aproveitar bem este material, de modo a participar das próximas eleições não apenas como uma obrigação, mas como uma contribuição consciente para melhorar o município, sugerimos o seguinte: • Leve este boletim e convide outras pessoas de seu relacionamento para também lerem e juntos debaterem o tema proposto. • Reflitam juntos sobre a relação entre o dever de pagar imposto e o direito de votar. • Se o grupo achar que foi proveitoso, marque nova reunião dentro de um mês, para a leitura e o debate sobre o tema do próximo boletim.
Folheto produzido pelo Núcleo de Estudos Sociopolíticos da Arquidiocese de Belo Horizonte em parceria com o Programa de Pós-graduação em Ciências da Religião – PUC Minas. Mais informações no site www.pucminas.br/nesp, ou no Vicariato para Ação Social e Política:(31)34224430
26/1/2008
Morre D. Cândido Padin
Bispo emérito de Bauru (SP), dom Cândido Rubens Padin, 92 anos, morreu ontem, 25-01-2008, no Mosteiro de São Bento, em São Paulo, de causas naturais. O corpo será velado no mosteiro a partir de hoje, às 13h, e sepultado no cemitério local na segunda-feira, às 11h. A notícia é do jornal Zero Hora, 26-01-2008. Nascido em São Carlos (SP), estudou Filosofia e Teologia. Fez sua profissão religiosa em 1942, ano em que se tornou doutor em filosofia, e foi ordenado padre em 1946. Formado em Direito pela Universidade de São Paulo (USP), escreveu livros como O Universo e o Jornalista (1942). Nomeado bispo auxiliar do Rio de Janeiro, em 1962, ficou lá até 1965, sendo um dos fundadores da Juventude Universitária Católica - JUC - no município e também assistente nacional da Ação Católica Brasileira. Foi bispo diocesano de Lorena (SP) de 1966, a 1970, quando foi transferido para Bauru, diocese que governou até se tornar emérito, em 1990. Dom Cândido foi responsável pelo setor de Educação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), de 1962 a 1968, presidente do Departamento de Educação do Conselho Episcopal Latino-americano - Celam - (1967-1972) e consultor da Sagrada Congregação para a Educação Católica (1968-1973). D. Cândido Padin, durante a ditadura militar se notabilizou pelo combate aos fundamentos jurídicos e filosóficos da Doutrina de Segurança Nacional e que originou a famigerada Lei de Segurança Nacional. Em meio à ditadura, chegou a ajudar na fuga de estudantes perseguidos por militares. iu pessoalmente num episódio da ditadura militar, em 1964: resgatou dez rapazes que faziam parte da juventude católica. Com eles havia sido encontrado o filme “O Encouraçado Potemkin”, que retrata um levante de marinheiros russos contra o império em 1905. “Não posso deixar de pedir que me sejam entregues agora”, resumiu ele a um oficial. O grupo foi solto. Outro episódio que evidencia a trajetória ativa de dom Cândido é sua prisão, em 1976, em Riobamba, no Equador. Estava num congresso para conhecer e refletir sobre uma pastoral indígena que criava comunidades cristãs sem desprezar as características originárias de cada cultura.
Morre, aos 92 anos, dom Cândido Padin sexta: 25 de janeiro de 2008 Faleceu por volta das 10:30h desta sexta-feira, 25, no Mosteiro de São Bento, em São Paulo, o bispo emérito de Bauru (SP), dom Cândido Rubens Padin. Segundo o Prior do Mosteiro, dom João Evangelista Kovas, dom Cândido rezava o breviário no momento em que morreu. “Ele estava bem e teve uma manhã normal, tomou seu café e, por volta das 10h, sentou-se para rezar o breviário e morreu”, conta o Prior. O velório terá início amanhã, 26, a partir das 13h no Mosteiro de São Bento. Na segunda-feira, 28, às 11h, haverá a missa de exéquias e, em seguida, o corpo de dom Cândido será sepultado no cemitério do Mosteiro. Em nota, o secretário geral da CNBB, dom Dimas Lara Barbosa, lamentou a morte de dom Candido e falou de sua longa vida. “Louvamos e agradecemos a Deus por sua longa vida que ficará indelevelmente marcada entre nós por suas grandes obras em favor do Evangelho e da Igreja no Brasil”, disse o secretário. Dom Cândido tinha 92 anos e pertencia à Ordem de São Bento (OSB). Nascido em São Carlos (SP), no ano de 1915, estudou filosofia na Faculdade de São Bento, em São Paulo, e teologia, também com os beneditinos, em Três Poços (RJ) e São Paulo. Dom Cândido fez sua profissão religiosa em 1942, ano em que se tornou doutor em filosofia, e recebeu a ordenação presbiteral em 1946. Nomeado bispo auxiliar do Rio de Janeiro, em 1962, dom Cândido adotou como lema Veritatem in caritate (A verdade na caridade) e ficou na Cidade Maravilhosa até 1965 onde foi Assistente Nacional da Ação Católica Brasileira. “Ele foi um dos fundadores da Juventude Universitária Católica (JUC)”, recorda dom Kovas.
Nomeado bispo diocesano de Lorena (SP) em 1966, aí permaneceu até 1970 quando foi transferido para Bauru, diocese que governou até se tornar emérito em 1990.
Com atuação destacada na área da educação, dom Cândido respondeu pelo Secretariado da Educação da CNBB de 1962 a 1968. Além disso, foi Presidente do Departamento de Educação do Conselho Episcopal Latino-americano (1967-1972) e Consultor da Sagrada Congregação para a Educação Católica (1968-1973). Formado em Direito pela Faculdade de Direito da USP, da qual foi Reitor, dom Cândido escreveu vários livros, entre os quais, sua tese de doutoramento, O problema do conhecimento em Demond Goblot (1942); O universo e o jornalista (1942); Objetivos da Orientação Educacional – CADES (1957); A doutrina da Segurança Nacional e a missão da Igreja (1973); Missão dos leigos cristãos – Missão da Igreja na perspectiva da libertação (1973).
Nota da CNBB pelo falecimento de Dom Cândido Padin sexta: 25 de janeiro de 2008 “Eu sou a ressurreição e a vida.Quem crê em mim, ainda que tenha morrido, viverá” (Jo 11,25). A CNBB recebe com pesar a notícia do falecimento do bispo emérito de Bauru (SP), dom Cândido Rubens Padin, OSB, ocorrido nesta sexta-feira, 25 de janeiro, no Mosteiro de São Bento, em São Paulo. Louvamos e agradecemos a Deus por sua longa vida que ficará indelevelmente marcada entre nós por suas grandes obras em favor do Evangelho e da Igreja no Brasil, seja como bispo auxiliar do Rio de Janeiro e bispo diocesano de Lorena e Bauru, no Estado de São Paulo, seja como Assistente Nacional da Ação Católica Brasileira, Responsável pelo Secretariado da Educação da CNBB, Presidente do Departamento de Educação do CELAM e Consultor da Sagrada Congregação para a Educação Católica, entre tantas outras funções que desempenhou. Manifestamos à Ordem de São Bento e aos familiares de dom Cândido Padin nossos sentimentos de pesar e dor pelo passamento desse irmão que, agora, é chamado a viver em plenitude a vida dos justos. Seja conforto e consolo a fé na Ressurreição e na Vida Eterna dadas pelo Cristo aos que Nele crêem como dom Cândido Padin testemunhou. Brasília – DF, 25 de janeiro de 2008.
CNLB - Sul 1 comemora 20 anos com Romaria a Aparecida
Encerrando as comemorações dos 20 anos de existência do CNLB (Conselho Nacional do Laicato do Brasil), Regional Sul 1, membros de várias dioceses do estado de São Paulo, de movimentos e associações laicais peregrinaram em romaria a Aparecida, no dia 18 do corrente. Neste gesto filial para com a Mãe Aparecida, os integrantes agradeceram os inúmeros benefícios concedidos a este organismo da Igreja. A CNLB visa articular os leigos e leigas no seguimento do Cristo, formar, promover a vocação e a missão e, assim, em suas várias atividades, nas pastorais, nas diversas igrejas particulares, nas paróquias, comunidades de base, movimentos e associações, construir o Reino de Deus, vivenciando sua missão específica. Além da romaria à cidade de Aparecida os membros, inicialmente, se encontraram no Porto Itaguaçu, local do achamento da imagem de Nossa Senhora Aparecida, às margens do Rio Paraíba. De lá, em procissão, se dirigiram à Basílica, a fim de celebrar a eucaristia, em ação de graças pelas duas décadas de trabalhos e conquistas, visando firmeza da fé e esperança na caminhada. O Celebrante da missa, Dom José Luiz Bertanha, Bispo de Registro e Presidente da Comissão Episcopal para o Laicato - CNBB, enfatizou o papel do laicato na igreja e seu protagonismo, ressaltou a beleza da vocação e missão leiga e sua singularidade. Segundo o presidente estadual da CNLB - Sul 1, Antonio Geraldo do Aguiar “Viemos em Romaria a Aparecida para agradecer os vinte anos de caminhada do Conselho de Leigos, do CNLB Regional Sul 1 – estado de São Paulo. Vinte anos de serviço à organização e articulação dos leigos e leigas. Celebrar diante de Nossa Senhora Aparecida os 20 anos do CNLB Regional Sul 1 é um gesto carinhoso dos filhos e filhas que pedem a mãe Aparecida as suas bênçãos para que o laicato continue firme na fé e com a esperança necessária para construção do Reino de Deus”. Com a Romaria encerramos as comemorações dos 20 anos da CNLB - Sul 1 inserida na celebração do Dia Nacional dos Cristãos Leigos e Leigas
Este é o WikiWikiWeb do Conselho Nacional do Laicato do Brasil (Regional de São Paulo)
Outros links para o CNLB:
- Site oficial do CNLB
- CNIS
- CNLB-SP INFORMA
CNLB-SP Conselho Nacional do Laicato do Brasil - Regional Sul 1 - São Paulo
- NOTICIAS do CNLB Sul 1
- ASSESSORIA DE FORMAÇÃO Dr. Adailton Agusto Maciel
- Mens Sana Luiz Edgar
- Quem é quem no CNLB-SP
- Objetivo geral da evangelização no brasil
- Apostolado dos Leigos 40anos Apostolicam actuositatem
- CNLB Santo André
- No calendário temos os eventos do CNLB-SP
- Reflexões
- CODILEI Santos
- CONAL Campinas
- CNLB Piracicaba
- OVISA
- GRUPO de Leigos e Leigas GUARULHOS
- CNLB Taubaté
- CNLB Assis
- CNLB Campo Limpo
- Sion
10 últimas páginas alteradas no CNLB-SP
include Site.AllRecentChanges lines=1..10
Amanhã, 29, às 10h, acontecerá na Praça da Sé, em São Paulo (SP), o 2º Ato Público em defesa da vida com o objetivo de convidar o povo brasileiro, os governantes e o Congresso Nacional para rejeitar o Projeto de Lei 1135/91, que legaliza o aborto até o nono mês de gestação.
No evento estará presente o presidente do Conselho Episcopal do Regional Sul 1 da CNBB, dom Nelson Westrupp. Participam também a coordenadora do Comitê Estadual do Movimento Nacional em Defesa da Vida, Marília de Castro; coordenador do Movimento Nacional em Defesa da Vida, Jaime Ferreira Lopes; presidente da Comissão da Defesa da República e Democracia da Ordem dos Advogados do Brasil de São Paulo, Cícero Harada, entre outros.
Amanhã, 29, às 10h, acontecerá na Praça da Sé, em São Paulo
(SP), o 2º Ato Público em defesa da vida com o objetivo de
convidar o povo brasileiro, os governantes e o Congresso Nacional para rejeitar o Projeto de Lei 1135/91, que legaliza
o aborto até o nono mês de gestação.
No evento estará presente o presidente do Conselho Episcopal do Regional Sul 1 da CNBB, dom Nelson Westrupp. Participam também a coordenadora do Comitê Estadual do Movimento Nacional
em Defesa da Vida, Marília de Castro; coordenador do Movimento Nacional em Defesa da Vida, Jaime Ferreira Lopes; presidente da Comissão da Defesa da República e Democracia da Ordem
dos Advogados do Brasil de São Paulo, Cícero Harada, entre outros.
O 1º Ato Público em Defesa da Vida aconteceu em São Paulo (SP), na Praça da Sé, e reuniu mais de 11 mil pessoas. Dom Westrupp esteve presente no evento.
O Conselho Episcopal do Regional Sul 1 da CNBB é constituído por 46 dioceses do estado de São Paulo, inclusive a arquidiocese e suas sete regiões episcopais.
O 1º Ato Público em Defesa da Vida aconteceu em São Paulo (SP),
na Praça da Sé, e reuniu mais de 11 mil pessoas. Dom Westrupp
esteve presente no evento.
O Conselho Episcopal do Regional Sul 1 da CNBB é constituído por
46 dioceses do estado de São Paulo, inclusive a arquidiocese e suas sete regiões episcopais.
A última saudação a Chiara Lubich em São Paulo Fora dos Muros,
em Roma
Movimentos em Defesa da Vida fazem Ato Público em São Paulo
sexta: 28 de março de 2008
Terça-feira, 18 de março, às 15 horas Será presidido pelo cardeal Tarcisio Bertone, Secretário de Estado
A mensagem do Papa Bento XVI
Amanhã, 29, às 10h, acontecerá na Praça da Sé, em São Paulo (SP), o 2º Ato Público em defesa da vida com o objetivo de convidar o povo brasileiro, os governantes e o Congresso Nacional para rejeitar o Projeto de Lei 1135/91, que legaliza o aborto até o nono mês de gestação.
No evento estará presente o presidente do Conselho Episcopal do Regional Sul 1 da CNBB, dom Nelson Westrupp. Participam também a coordenadora do Comitê Estadual do Movimento Nacional em Defesa da Vida, Marília de Castro; coordenador do Movimento Nacional em Defesa da Vida, Jaime Ferreira Lopes; presidente da Comissão da Defesa da República e Democracia da Ordem dos Advogados do Brasil de São Paulo, Cícero Harada, entre outros.
Memória
O 1º Ato Público em Defesa da Vida aconteceu em São Paulo (SP), na Praça da Sé, e reuniu mais de 11 mil pessoas. Dom Westrupp esteve presente no evento.
O Conselho Episcopal do Regional Sul 1 da CNBB é constituído por 46 dioceses do estado de São Paulo, inclusive a arquidiocese e suas sete regiões episcopais.
A última saudação a Chiara Lubich em São Paulo Fora dos Muros,
em Roma
Terça-feira, 18 de março, às 15 horas Será presidido pelo cardeal Tarcisio Bertone, Secretário de Estado
A mensagem do Papa Bento XVI
A última saudação a Chiara Lubich em São Paulo Fora dos Muros,
em Roma
Terça-feira, 18 de março, às 15 horas Será presidido pelo cardeal Tarcisio Bertone, Secretário de Estado
A mensagem do Papa Bento XVI
“Tomei conhecimento, com profunda emoção, da notícia da morte de Chiara, que chegou ao final de uma vida longa e fecunda, marcada incansavelmente pelo seu amor por Jesus Abandonado” Assim inicia o telegrama assinado pelo Papa Bento XVI, enviado hoje de manhã. “Nesta hora de dolorosa separação”, o Santo Padre assegura a sua proximidade espiritual “com afeto”, “aos familiares e a toda a Obra de Maria – Movimento dos Focolares – que teve origem com Chiara, bem como a todos aqueles que apreciaram o seu constante empenho em favor da comunhão na Igreja, do diálogo ecumênico e da fraternidade entre todos os povos”. O Papa agradece a Deus “pelo testemunho da sua existência na escuta das necessidades do homem contemporâneo, em plena fidelidade à Igreja e ao Papa”. Bento XVI faz votos de que “todos os que a conheceram e encontraram, admirando as maravilhas que Deus realizou por meio do seu ardor missionário, sigam os seus passos, mantendo vivo o seu carisma”. O Papa conclui invocando “a materna intercessão de Maria” e enviando “a todos” a sua bênção apostólica.
A última saudação a Chiara Lubich será na terça-feira, dia 18 de março, às 11h (hora de Brasília), na basílica romana de São Paulo Fora dos Muros. A cerimônia será presidida pelo Secretário de Estado do Vaticano, cardeal Tarcisio Bertone. Será transmitida via satélite e pela internet.
Durante a manhã de hoje houve um contínuo afluxo de visitas à sua casa. O velório terá início às 12 (hora de Brasília), até segunda-feira à noite, no Centro Internacional do Movimento dos Focolares, em Rocca di Papa, Itália (Via di Frascati, 306).
Chiara será sepultada na capela do Centro Internacional do Movimento, em Rocca di Papa.
Em Trento, sua cidade natal, foi decretado luto pelo prefeito Alberto Pacher.
A CNBB recebe com pesar a notícia da morte de Chiara Lubich, ocorrida na madrugada de hoje em Roma, solidarizando-se com todos os membros do Movimento dos Focolares, fundado por ela em 1943 e presente no Brasil desde 1958. Chiara Lubich, ao longo de sua vida, deu um grande testemunho de fé e humanidade, num empenho constante pela comunhão na Igreja, pelo diálogo ecumênico e pela fraternidade entre todos dos povos. Recordamos suas diversas visitas ao nosso País, particularmente em 1991 quando propôs a criação da Economia de Comunhão que, no âmbito do Movimento dos Focolares, buscou ser uma resposta aos grandes problemas sociais de nosso povo. Essa experiência logo se consolidou e se expandiu, sendo hoje um modelo de solidariedade e de serviço aos mais pobres em todo o Mundo. A Deus fazemos chegar nossa prece a fim de que acolha Chiara Lubich entre os eleitos, dando-lhe do banquete preparado para os que, nesta vida, serviram Cristo nos mais pobres e sofredores. Conforte-nos a palavra da Sabedoria: “As almas dos justos estão na mão de Deus (...), eles estão na paz” (Sb 3,1.3c).
Brasília - DF, 14 de março de 2008
Dom Dimas Lara Barbosa Bispo Auxiliar do Rio de Janeiro Secretário Geral da CNBB
Chiara Lubich, exemplo de unidade e amor entre os cristãos
Movimento dos Focolares Fundadora e presidente do Movimento dos Focolares, Chiara Lubich nasceu em 1920, em Trento, Itália. Com a idade de 23 anos, durante a II Guerra Mundial, ela, juntamente com algumas companheiras, começou a sua experiência - uma redescoberta dos valores evangélicos - e decidiu escolher Deus Amor como único ideal de sua vida. Esta foi a origem de um vasto movimento de renovação espiritual e social, de dimensão mundial.
A focolarina é uma das personalidades contemporâneas mais respeitadas. Ela afirma a importância da unidade como um "sinal dos tempos": unidade entre as pessoas, as gerações, as raças, os cristãos de várias confissões e entre as religiões. Unidade é a palavra-chave dos focolares, cujo objetivo é contribuir para que a humanidade se torne uma grande família. A espiritualidade da unidade ajudou a cancelar séculos de preconceitos entre os cristãos. Milhares de pessoas de diferentes denominações cristãs participam do Movimento dos Focolares.
Diálogo entre diferentes religiões
A difusão do Movimento no mundo favoreceu e incrementou o diálogo com pessoas de diferentes religiões (judeus, muçulmanos, budistas, taoístas, siks, animistas). Eles também são convidados a viver este ideal de unidade. Em 1981, por exemplo, Chiara Lubich convidada por Nikkyo Niwano, presidente da Rissho Kosei- Kai, apresentou a sua experiência espiritual a mais de 10.000 budistas, em Tóquio. Em janeiro de 1997, Chiara foi convidada a falar a grupos de monges, monjas e leigos budistas na Tailândia, instaurando um diálogo extraordinário entre o cristianismo e o budismo. Em maio de 1997, em Nova Iorque, Chiara teve um encontro pessoal com W.D. Mohammed, atual líder da American Muslim Mission.
Em maio de 1997, a focolarina falou a mais de 700 pessoas no Palácio de Vidro da ONU, em Nova Iorque, que compunham um público multi-racial, multicultural e multi-religioso. No seu discurso, ressaltou a afinidade que existe entre a ONU e o Movimento dos Focolares.
Chiara é a primeira mulher branca, cristã e leiga a narrar a sua experiência de vida na mesquita de Malcom Shabazz, em Harlem (Nova Iorque), a mais de 3 mil muçulmanos, abrindo assim as portas ao diálogo com o mundo islâmico afro-americano. Em abril de 1998, ela encontrou a terceira maior comunidade judaica do mundo, em Buenos Aires, construindo um maior relacionamento de amor recíproco entre cristãos e hebreus.
Desde os primeiros tempos, pessoas de convicções não-religiosas participam das atividades do Movimento que promovem os valores da pessoa e a construção de um mundo unido. A fundadora recebeu vários prêmios, reconhecimentos, doutorados honoris causa e tornou-se cidadã honorária de várias cidades no mundo.
Promotora da Paz
Desde 1994, Chiara Lubich é presidente de honra da WCRP (World Conference of Religions for Peace - Conferência Mundial das Religiões pela Paz), pela sua influência decisiva para o progresso da paz.
Tendo por base o que Chiara chama de "cultura da partilha", o movimento lançou um projeto conhecido como "economia de comunhão na liberdade", segundo princípios que expôs pela primeira vez justamente no Brasil, em 1991. A idéia foi acolhida imediatamente. Hoje mais de 700 empresas aderiram à economia de comunhão no mundo inteiro. Cerca de 80 delas se encontram no Brasil. Nesse projeto se entrevêem linhas sociais e econômicas que articulam princípios nunca antes justapostos: economia, solidariedade e liberdade. A economia de comunhão foi tema de dezenas de teses em várias universidades do mundo.
Chiara Lubich faleceu em Rocca de Papa (Itália), onde está situado o Centro Internacional do Movimento dos Focolares. É autora de inúmeras obras de caráter espiritual, traduzidas em 21 línguas.
Análise de Conjuntura – fevereiro 2008
Apresentação A possibilidade de abalo econômico em consequência de uma recessão nos EUA, preocupa políticos e empresários do mundo inteiro. Peritos em finanças dedicam-se a interpretar os indicadores econômicos, tentando avaliar as dimensões da crise que se aproxima após cinco anos seguidos de bonança na economia mundial. No fundo, debate-se o lugar a ser ocupado pela Ásia (China e Índia) diante dos sinais de decadência do capitalismo estadunidense. Mas nem essa crise que se avizinha trouxe para a pauta dos poderosos a crítica à concepção produtivista do desenvolvimento. Esta é uma discussão colocada pelo movimento altermundista e que provoca divisões inclusive no campo da esquerda. Esse debate em torno à ideologia de Estado “mínimo”, o modelo produtivista e a busca de um modelo de desenvolvimento ecológico-social, é o eixo desta análise de conjuntura. Esta análise aborda o cenário de crise econômica mundial e suas repercussões no Brasil, destacando as divergências nos Movimentos Sociais em relação ao governo Lula. Trata o tema da vida ameaçada no Brasil e na África, e conclui trazendo a atualidade do Congresso Nacional. I . Crise econômica mundial? Sua repercussão no Brasil O debate em Davos. O Fórum Econômico Mundial reuniu, em janeiro, nos Alpes suíços 2.400 empresários e políticos, com sensível aumento do número de chineses e indianos. Tal como o Fórum Social, ele não é um lugar de decisão, mas de debate. A crise dos subprimes (créditos imobiliários oferecidos a pessoas que não tinham como honrá-los) levantou a probabilidade de recessão econômica nos EUA. Pensava-se, inicialmente, que o custo dos subprimes não ultrapassaria uma centena de bilhões de dólares; mas agora já se sabe que ele chega à casa dos trilhões. Economistas e consultores financeiros mostram-se pessimistas, achando que a crise vai se estender ao mundo todo, enquanto os industriais continuam otimistas depois de anos de bons negócios. A alta no preço do minério de ferro é um claro sinal de otimismo. A crise é mais que a dos subprimes. É a crise global do crédito, do financiamento da economia no seu conjunto. Isso a torna preocupante, porque o sistema financeiro mundial passou em poucos meses de um excesso de confiança para um excesso de desconfiança. Antes se emprestava dinheiro a qualquer preço; hoje não se empresta a ninguém. Um novo equilíbrio não será encontrado sem verdade e transparência. A história do capitalismo mostra que a transição de um pólo para outro tem sido marcada por graves crises financeiras . Talvez hoje esteja se configurando um mundo multipolar. Chineses e indianos são os mais otimistas. Outros países emergentes, como o Brasil, acham que seu crescimento será pouco afetado, porque os bancos dos paises ricos recorreram a fundos soberanos (reservas financeiras controladas por governos de grandes países exportadores que já acumulam de US$ 2,5 a 3 trilhões) para cobrir suas perdas. Aliás, os bancos são as entidades que melhor conseguem privatizar ganhos e socializar prejuízos. Ingredientes da crise Tal como a serpente cujos ovos transparentes permitem ao observador prever o que virá pela frente, a crise econômica mundial que está prestes a eclodir tem como ingredientes dois fatos bem visíveis: 1. Os EUA são uma superpotência cujos gastos de investimento e consumo são custeados pela própria moeda nacional, aceita e procurada como meio internacional de troca. Até agora, a emissão de moeda para bancar déficits e dívidas tem apresentado baixo risco; 2. Os fluxos financeiros, cada vez mais mundializados, são deixados ao sabor do mercado, sem efetivo controle ou coordenação de alguma agência internacional. Hoje em dia esses fluxos financeiros são várias vezes maiores que os reais, lidando com títulos baseados na expectativa de que se possam saldar com segurança outros papéis apoiados agora em mais camadas de títulos . A crise de 1929 se deveu em grande parte a oscilações de crédito e liquidez. Depois da euforia - e precisamente em reação a ela, quando se revelou insustentável - veio o pessimismo no qual o “crédito” (no sentido relacional humano e econômico) se reduziu drasticamente. A experiência ensinou então aos governos, que era necessária uma instituição (chame-se Banco Central, Superintendência da Moeda e Crédito, Sistema da Reserva Federal) que controlasse a capacidade dos bancos de criarem moeda ao concederem empréstimos e financiarem investimento e consumo. Hoje, porém, as grandes instituições financeiras usam seu poder para impedir qualquer projeto de instância reguladora . Isto faz parte (inegociável) da ideologia do “Estado mínimo”, que louva orçamentos modestos e déficits nulos. Mas, ao contrário do que prega sua ideologia, o governo Bush aumentou a intervenção econômica do Estado, para defender emprego e renda. Seu orçamento de US$ 3,1 trilhões carrega um déficit de US$ 410 bilhões (13,2% do orçamento, 2,9% do PIB). Já o Brasil pode fornecer a receita de como estabelecer superávits primários e superar as metas... De fato o novo Estado não é “mínimo”, pois socorre bancos em dificuldades, assumindo suas perdas. Nem poderia o poder público agir de outra forma, porque o sistema financeiro está conectado com todo o conjunto da economia e a ruína de um banco não favorece os concorrentes, mas coloca-os também em risco e isso atinge a economia real. Esta interligação é cada vez mais mundial. A ela se soma (em grande parte como conseqüência sua) a interligação global de etapas de produção. Cada vez mais, o processo de produção de bens se integra internacionalmente. Isto quer dizer que são cada vez menores as chances de um país escapar das conseqüências da crise voltando-se “para dentro”. Noutros momentos de crise internacional, a drástica redução das exportações agrícolas possibilitava o crescimento da pequena indústria e da agropecuária para o mercado interno. Mas hoje é pouco provável que ocorra algo semelhante. Este processo era possível porque a economia brasileira era compartimentada, sem relação orgânica entre a agroexportação e a lavoura de subsistência que se podia expandir marginalmente para atender o mercado interno. Hoje, a economia se integrou. Marcada pela desigualdade e pela subordinação setorial e regional, mas integrada. A isso se soma o dólar sub-avaliado, que dificulta o crescimento da indústria nacional. Pode-se imaginar que a crise force uma alteração neste parâmetro. Mas é bom não esquecer: o “preço” do dólar em reais depende da entrada e saída de capitais e estes têm forte teor especulativo: enquanto as taxas de juros continuarem nas alturas, não faltarão dólares para engordar as reservas internacionais do Brasil, hoje tão comemoradas. O governo e a mídia noticiam com ênfase que os haveres externos do Brasil superam em US$4 bilhões a dívida externa pública e privada. A notícia é boa, embora não seja “nunca antes neste país”: ao terminar a II guerra mundial, o superávit era de US$2,4 bilhões, e se desfez em dois anos e meio, numa enxurrada de importações. Convém ter presente que boa parte da dívida pública externa se transmutou em dívida pública interna com juros muito superiores . As contas públicas e o Estado “mínimo”. A derrota do governo na prorrogação da CPMF, analisada na análise de conjuntura de dezembro, deu ensejo a uma ampla ofensiva da grande mídia, apoiada pelo DEM e PSDB, contra os gastos públicos. Eles batem forte na política adotada por Lula para reaparelhar o Estado que vinha sendo desmontado por Collor e FHC. As atuais denúncias envolvendo os “cartões corporativos” são apenas uma nova escaramuça no sentido de enfraquecer essa política dita “estatizante”. Conquanto possa ter havido abusos, desvios e malversação de recursos públicos, o que está em questão não é a quantidade de recursos gastos por meio dos cartões (0,004% do total dos gastos da União, segundo Carta Capital), mas a sua própria existência como forma eficiente e transparente de funcionamento da máquina pública, o que vai contra a ideologia do Estado “mínimo”. A liberdade, entendida como direito de “usar e abusar” (ius utendi et abutendi), fundamenta a sociedade de mercado. A livre circulação do capital continua sendo a grande utopia: um Estado sem impostos, com o mínimo de funcionários, sem projeto e sem partidos políticos, onde os governantes se revezem por eleições em forma de espetáculo e o cidadão seja identificado com o consumidor. O Estado poderia ser reduzido à função de zelador da moeda, da propriedade privada e dos contratos, terceirizando ou privatizando todas as outras funções. Se isso é utopia, o esforço vai então no sentido de debilitar ao máximo o Estado que organiza cidadãos e cidadãs, reconhecendo-os como sujeitos de direitos inalienáveis. Pouco importa se os maiores escândalos financeiros são perpetrados por empresas privadas, com sua insaciável busca de lucro para atender a demanda de dividendos dos acionistas e investidores. Menos Estado e mais mercado, esta a receita neoliberal para a felicidade geral da Nação . Um exame das contas públicas, contudo, mostra que a maior despesa do Estado é com seus credores – os mesmos que clamam por um Estado “mínimo”. Nada menos que R$400 bilhões devem ser gastos este ano para financiar a dívida pública federal. Algo como R$140 a 150 bilhões em juros, e o restante no resgate de títulos a vencer. É evidente que o Tesouro não dispõe de quantia tão vultuosa (apesar de todo esforço para contenção de gastos, o governo não consegue economizar mais de R$80 bilhões para satisfazer os credores) e precisa recorrer a constantes leilões de títulos públicos, tomando novos empréstimos para pagar antigas dívidas. É isso que os credores mais querem no mundo: um devedor eternamente endividado mas pontual no pagamento dos juros. Manter o devedor – no caso, o Estado brasileiro – sob pressão num jogo de ameaças (fuga de capitais) e prêmios (receber a qualificação de investiment grade), é a tática das agências de investimento e dos bancos, cujos lucros não cessam de crescer. Acossado pelos credores, o Estado brasileiro poderia enfrentá-los e auditar essa dívida, cuja origem nem sempre é transparente. Mas isso exigiria uma força política que Lula avalia não dispor. Prefere, então, não questionar a dívida e pagá-la de modo o mais suave possível, isto é, reduzindo sua proporção sobre o PIB. Neste sentido, seu êxito é inquestionável. Ao assumir o governo, a dívida pública ultrapassava 60% do PIB, hoje, está se aproximando de 40%, ou seja, cresce menos do que a economia brasileira no seu conjunto. Isso nos leva a questionar sobre as possibilidades desse crescimento em 2008 e sua natureza. Crescimento lento e gradual, sim; mas seguro? Tudo indica, neste início de 2008, que teremos crescimento econômico. Modesto, mas claro. O sub-setor industrial que mais cresceu em 2007 foi o de máquinas e equipamentos (19,5%). Isso sinaliza um crescimento mais seguro e continuado. O risco da descontinuidade do crescimento vem de que o dólar continua sub-avaliado em termos reais de comparação com o real, o que estimula desproporcionalmente as importações. O emprego com carteira assinada tem o melhor resultado desde 1992. O crescimento é maior em serviços (16%) que em geral tendem a exigir qualificação escolar acima da média de nossa população economicamente ativa. Em compensação, de fato, cresceu também bastante bem (14%) a construção civil, que por enquanto ainda absorve mão de obra menos qualificada. A massa total de salários cresceu mais que o PIB (sobretudo em ocupações qualificadas e bem remuneradas). A renda do trabalho das classes A e B liderou este crescimento. Todos os que auferem rendimento do trabalho melhoraram um pouco, mas os do meio melhoraram mais e os de cima melhoraram muito. Esse crescimento do PIB segue o modelo produtivista-consumista e incorpora suas tecnologias. Ele favorece o grande capital, mas reduz o desenvolvimento ao aumento da produção e da produtividade, sem considerar a vida humana nem a saúde do Planeta. Ao adotá-lo, o governo Lula foi duramente criticado por setores da sociedade organizada que diverge de sua posição em relação ao plebiscito sobre a privatização da Vale do Rio Doce, as hidrelétricas do Rio Madeira, ao megaprojeto do rio São Francisco, a produção maciça de agrocombustíveis e aos transgênicos trazidos pela Monsanto, Syngenta e Cargill. Dois modelos de desenvolvimento. Para o Brasil, o crescimento econômico como fim em si mesmo requer prioridade ao agronegócio, à exportação (principalemente de commodities), à industrialização liderada pelo grande capital, ao investimento sem cálculos de custos sociais e ambientais, enfim, ao produtivismo-consumismo. Outro modelo é o projeto de desenvolvimento endógeno (fundado nos potenciais, forças, recursos naturais, materiais e humanos, e capitais brasileiros), tendo por fim a soberania, a solidariedade e a sustentabilidade. Ou seja, um desenvolvimento econômico e tecnológico a serviço do desenvolvimento humano e social. Ele assume o princípio da subsidiariedade e valoriza o poder local, não se envergonha de propor como prioridade a agricultura familiar e a agroecologia, a segurança alimentar antes da exportação, a industrialização planejada segundo as condições e necessidades regionais, o consumo sóbrio, consciente e solidário de bens, serviços e energia, e a auditoria da dívida pública para negociar o cancelamento da que tiver sido feita ou paga de forma ilegal ou ilegítima. Neste modelo, é a sociedade trabalhadora o seu protagonista principal, desde que o Estado lhe ofereça condições adequadas para empoderar-se para este papel. Isso implica, entre outras mudanças, a democratização da propriedade, a revalorização do trabalho, do saber e da criatividade, e um sistema educativo capaz de dinamizar a dimensão libertadora da cultura . A opção do governo Lula, expressa no Plano de Aceleração do Crescimento, reflete-se não só no seu distanciamento de setores de esquerda dos movimentos sociais, como nas ameaças à vida que hoje se manifestam no desmatamento da Amazônia e no aumento das mortes violentas no Brasil. É o que veremos mais a diante. II . Movimentos Sociais na atual conjuntura nacional. O jejum de Dom Luiz Cappio, no final do ano passado, contra o megaprojeto de transposição das águas do Rio São Francisco, mobilizou um significativo número de movimentos sociais, como também provocou debates e tomadas de posição de intelectuais de diferentes áreas, inclusive a teologia. Talvez a principal novidade tenha sido a discussão sobre o lugar da fé cristã num Estado laico. Enquanto um lado criticou a concepção de cristandade e até um possível “fundamentalismo” quando são ignoradas as necessárias mediações da Fé para a participação dos cristãos na construção de um país democrático, o outro lado reafirmou o imperativo ético da vida dos pobres como critério de julgamento de qualquer projeto político. Pela primeira vez em muitos anos, esse debate envolvendo setores da “esquerda católica” aconteceu de modo aberto e público, deixando clara a diferença de concepções. Não se pode ainda afirmar que aquela mobilização contra o projeto de transposição tenha representado um reascenso das forças sociais; mas com certeza, ela colocou em pauta o debate sobre o modelo de desenvolvimento que vem norteando as políticas do atual governo. Além da posição de direita, cuja ideologia impele a combater tudo que possa favorecer o reaparelhamento do Estado e insiste no modelo neoliberal de Estado “mínimo”, podemos distinguir hoje, no cenário político nacional, duas grandes tendências. Uma tendência, que vem perdendo força, mas ainda tem grande apelo na massa popular, é aquela que vê no governo Lula o grande mérito do realismo: não é o governo dos sonhos, mas é um bom governo, dado o contexto estrutural e global desfavorável a um projeto de mudanças radicais. A outra tendência, conquanto reconheça os avanços do governo Lula em comparação com seu antecessor, denuncia a sua opção por um desenvolvimento reduzido ao crescimento econômico, não questionando a subordinação dos capitais nacionais às cadeias produtivas e aos mercados dominados por capitais transnacionais e a subordinação do capital produtivo à hegemonia do setor financeiro-bancário. Ao mesmo tempo em que esses debates dividem os movimentos sociais entre os que apóiam o governo Lula e os que dele se afastam definitivamente, eles ajudam a construir um consenso interno em cada setor, que assim ganha maior capacidade de articulação ao unificar uma agenda dispersa. Não estaria aqui a possibilidade de retomada das lutas e movimentos sociais?
Neste sentido vale registrar a bandeira de luta em torno das questões energéticas, assumida pela Assembléia Popular que atualmente congrega mais de 50 entidades e se encontra em crescente processo de enraizamento nos Estados. Com um significativo potencial de educação política nas bases, ela se dispõe a articular as forças sociais em torno à construção de um projeto popular para o País. Neste ano, ela propõe à população discutir os problemas locais e municipais relacionados ao modelo energético vigente, que é predador, injusto e excludente. Colocam-se grandes desafios aos movimentos sociais, cujas forças são dispersas: organizações voltadas para as realidades do campo, outras voltadas para as lutas urbanas por moradia, emprego, segurança e o movimento sindical dando sinais de acomodação diante de alguns direitos trabalhistas garantidos na Constituição. Urge o fortalecimento de um projeto e um espaço comum que oriente a ação conjunta dos movimentos sociais nas bases, para além das leituras e práticas ideológicas de alguns dirigentes, entidades e centrais sindicais.
III . A vida ameaçada: Brasil e África A embate entre a concepção produtivista-consumista do desenvolvimento e a concepção ecológico-social está longe de ser um debate acadêmico ou desligado da realidade concreta. Ao contrário, seus efeitos práticos, na realidade vivida e morrida, são cada dia mais nítidos. Tomamos aqui três dessas realidades. A vida da Amazônia A Amazônia é um fator de vida para toda a humanidade. Reconhecida como fator de equilíbrio essencial para todo o planeta, tem a ver com a qualidade da vida global da Terra. O texto-base da CF de 2007, ao denunciar o processo de devastação em curso, apontava situações e ações que agridem a vida, os povos e o meio-ambiente da Amazônia. Infelizmente, ele não perdeu sua pertinência, pois observou-se um aumento do desmatamento da Amazônia nos meses de novembro e dezembro de 2007. O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais aponta o desmate atípico de quase 2.000 km² nesses dois meses, em um total de mais de 3.000 km² entre agosto e dezembro, seja um pouco mais do dobro que o ano anterior. Na verdade, a área real desmatada nesse período de 2007, pode chegar a 7.000 km². A ministra do Meio Ambiente aponta a expansão da pecuária e da soja como o principal fator de aumento do desmatamento. Exigir um compromisso dos grandes produtores rurais para reverter essa expansão é inócuo, pois o presidente da Comissão de Meio Ambiente da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil nega que o desmatamento tenha aumentado. Entretanto, a balança comercial do agronegócio fechou o ano de 2007 com o saldo recorde de quase US$ 50 bilhões, devido, sobretudo, ao aumento do preço internacional da soja e da carne bovina. E há uma correlação estatística direta entre os preços do boi e da soja, e o ritmo de desmatamento na Amazônia.
O agronegócio sempre se beneficiou das benesses dos governos, inclusive do atual. Estima-se o passivo do setor agrícola em R$130 bilhões e está em discussão a suspensão dos pagamentos das parcelas da dívida agrícola que se referem a financiamentos contraídos pelos produtores em 2004 com vencimento em janeiro, fevereiro e março deste ano. Ninguém acredita nas ameaças de corte de financiamento aos empresários rurais. O agronegócio só beneficia a minoria de trabalhadores qualificados e prestadores de serviço, pois a lógica do mais forte obriga os menos preparados e mais pobres a aceitarem regimes de trabalho análogos à escravidão. Somente no ano passado, foram liberadas 5.877 pessoas. Enquanto isso, a reforma agrária está praticamente paralisada, com o governo acuado pela “bancada ruralista”.
A riquíssima “sociobiodiversidade” da Amazônia continua ameaçada por muitas formas de devastação, ficando submetida aos interesses de pessoas e grupos ávidos de lucros que não se importam com a sua sobrevivência. A CF-2008 retoma a defesa da vida na mesma linha, denunciando a lógica que tudo submete ao valor econômico e instrumentaliza a própria vida em função do lucro ou da satisfação de interesses individuais. O desenvolvimento produtivista-consumista aumenta a riqueza geral, mas não atinge as estruturas de injustiça que geram violência e exclusão. A vida humana Muitas são as ameaças à vida, mas entre elas destaca-se, por sua intensidade, a violência endêmica e o crime organizado, que ceifam numerosas vidas (44,6 mil homicídios em 2006, grande parte em plena juventude). Um milhão de mortes violentas nos trinta últimos anos deveria questionar a lógica do mercado e sua cultura de “levar vantagem”. Apesar dos êxitos de programas sociais como o Bolsa-Família, o que está havendo não são mudanças de ordem estrutural, mas a consolidação das antigas estruturas geradoras de desigualdade. Doenças ligadas à pobreza, como diarréia, desnutrição, malária e tuberculose matam 33,5 mil pessoas por ano (dado de 2005), mais que o total de vítimas de acidentes de trânsito, (30 mil). Outras 49 mil pessoas morrem sem assistência médica. É preciso considerar que a pobreza e a desnutrição são causas de morte, pois fragilizam o organismo e o expõem a maiores riscos, como no caso de pneumonia. Impressiona também o número de vidas privadas de nascer bem e serem acolhidas no banquete da vida. É grande o número de mulheres atendidas pelo SUS em decorrência de complicações relacionadas ao aborto (250 mil internações em 2006). Na maioria dos casos, trata-se de um recurso desesperado, movido pelo instinto de sobrevivência, que não depende de justificativas como o pretenso “direito ao aborto”. Não é fora de propósito dizer que, na medida em que a razão abortista associa o direito à propriedade do corpo à propriedade da terra, da água e dos bens de produção, ela é regida pela mesma razão instrumentalista da concepção produtivista-consumista em vigor na sociedade. Esta é a ideologia mais difundida no mundo. Ideologia que vem acompanhada pela força das armas, sempre a serviço dos mais fortes. Triste exemplo dessa prepotência armada é o assassinato de 86 indígenas no ano de 2007, 53 dos quais no Mato Grosso do Sul, devido ao seu confinamento, principalmente os Guarani. Continuam sendo mortos lideres indígenas que se opõem aos interesses de grandes fazendeiros. O grupo Guarani que luta para retomar sua terra (Kurussu Ambá) perdeu, em 2007 a rezadeira Xurete Lopes, de 70 anos, e Ortiz Lopes, assassinado na porta de seu barraco, segundo testemunhas, a mando de um fazendeiro. Animados pelo Programa de Aceleração do Crescimento os adversários dos povos indígenas reforçaram suas ações no sentido de barrar novas conquistas indígenas e derrotá-los nos três poderes da República. Não faltam exemplos: as ações judiciais contra a homologação de territórios já demarcados; a retomada de projetos de lei que favoreçam a mineração em terras indígenas; a criminalização de lideranças indígenas no nordeste, o precário atendimento à saúde indígena, e a deterioração dos rios e matas de territórios indígenas devido à exploração agropecuária ou mineral em terras vizinhas. É preocupante o que ocorre com a Terra Indígena Raposa Serra do Sol, cuja homologação está sofrendo uma série de contestações no Supremo Tribunal Federal, enquanto arrozeiros invasores fazem declarações e ações provocativas e setores militares não acatam a ordem de proceder à desintrusão do território homologado em abril de 2005. É preocupante, também, a situação dos remanescentes de quilombos, cujos direitos constitucionais estão ameaçados pela cobiça dos grandes proprietários de terra. A África na tormenta A África sofre nestes últimos meses, pelo menos três trágicos conflitos que matam centenas de pessoas, deslocam populações inteiras, destroem a economia e desestabilizam o país. Não por acaso, os conflitos mais agudos coincidem com áreas ricas em minérios ou petróleo. Chade. A ofensiva, no começo de fevereiro, de tropas rebeldes sobre Ndjamena, capital do país, aconteceu na véspera do envio da força de paz de 3.700 soldados da União Européia, no Sudão, no Chade e na República Centroafricana, após intensa preparação. O apoio do Sudão à rebelião contra o governo do Chade é claro. Seu objetivo foi de impedir a chegada de contingentes internacionais na região e assim manter seu apoio às milícias árabes nômades que expulsam as populações sedentárias do Darfur para se apropriar das terras. Seu governo já foi condenado pela ONU, mas recusa a presença de tropas de paz nas fronteiras dos três países e faz tudo para que sejam enviados apenas soldados da União Africana, cuja presença em outros conflitos se revelou inútil. Diante da ofensiva contra Ndjamena muita gente fugiu para os Camarões. A situação da região se torna ainda mais instável porque o Chade produz petróleo e a França tem importantes interesses nesta região. Darfur. A guerra já faz 4 anos, com mais de 200 mil mortos e 2 milhões de deslocados. Hordas de milicianos árabes montados em cavalos e camelos chegam às aldeias para matar homens, violar mulheres (muitas são levadas como escravas sexuais) e roubar tudo o que encontram. Grupos de Direitos Humanos e governos ocidentais tentam, em vão, conseguir que a ONU qualifique a atuação do governo de Cartum de genocídio, o que implicaria sanções imediatas. Agências de ajuda denunciam que há um milhão de crianças em risco de desnutrição e que muitas morrem nos campos de refugiados, cercados pelas milícias. Ilha de prosperidade e estabilidade na conturbada África do Leste, o Quênia parece ser levado por uma onda de auto-destruição. Mais de mil pessoas morreram no mês que seguiu as eleições de dezembro de 2007, cujo resultado foi contestado pela oposição que denuncia uma fraude massiva. As violências se enraízam nas rivalidades inter-étnicas, herdadas do período colonial. Os Kalenjin saqueiam e queimam os bens dos Kikuyu – etnia do presidente Kibaki – que se declarou reeleito. Apesar duma boa taxa de crescimento (6,1% em 2006), há crescentes desigualdades sociais e econômicas entre os dois grupos. Uma grande maioria dos quenianos continua vivendo na pobreza e miséria; 10% deles possuem a metade das riquezas do país. Também na África, sob o manto de conflitos étnicos ou tribais, o direito de “usar e abusar” fundamenta o individualismo moderno e reduz o mundo a um conjunto de “coisas” a serem usadas. Enquanto essa visão prevalecer, a humanidade continuará cortando o galho da vida planetária sobre o qual está sentada. “Escolhe, pois, a vida” é escolher a vida e um futuro esperançoso para si e seus descendentes, e não a morte que reside nas “coisas” a que foram reduzidos os seres humanos, o Planeta e todo seu complexo sistema de vida. Das nossas escolhas depende a vida humana e o futuro da vida na Terra, nossa casa comum. 40 anos depois da Populorium progressio, caberia inverter a célebre expressão de Paulo VI e proclamar que “a paz é o novo nome do desenvolvimento”. IV . Notícias do Congresso Nacional Os trabalhos legislativos de 2008 no Congresso Nacional tiveram início com um clima tenso. Os festejos de abertura do Parlamento foram ofuscados pelas notícias do mau uso dos cartões corporativos, o que deu lugar à CPI para apurar esse tipo de gasto do dinheiro público. A mensagem do Presidente Lula, levada pela Ministra-chefe da Casa Civil, destaca a vontade de priorizar neste ano as áreas de segurança, educação e saúde. Já os Presidentes do Senado e o da Câmara insistem na necessidade de novas regras para as Medidas Provisórias, sobretudo por causa da paralisação das votações ordinárias e do esvaziamento da função própria ao Legislativo como criador das leis. Por outro lado, o próprio Presidente do Congresso reconhece o Parlamento tem ficado aquém das expectativas nacionais, como aliás é confirmado pelas pesquisas de opinião. Assim mesmo, o Congresso até agora se concentrou demais na criação da CPI dos Cartões Corporativos, enquanto há mais de 800 projetos na fila para serem votados: 667 na Câmara e 225 no Senado. Entre as prioridades das duas casas para este ano estão: o fim do voto secreto, regulamentação das MPs?, apreciação dos vetos da Presidência da República, reforma política, reforma tributária... Mas, na Câmara, as MPs? estão trancando a pauta e as Comissões ainda não foram instaladas. No Senado, continuam as mesmas comissões do ano passado. Não devemos portanto ser muito otimistas em relação ao trabalho legislativo ordinário para o ano de 2008. Frentes Parlamentares promovem encontro em defesa da vida A Frente Parlamentar em Defesa da Vida - Contra o Aborto e a Frente Parlamentar Contra a Legalização do Aborto promoveram no dia 20.02 o 1º Encontro Brasileiro de Legisladores e Governantes pela Vida. O evento reuniu vereadores, prefeitos, governadores, deputados e senadores de todas as regiões do País, além de parlamentares estrangeiros. Entre outros temas, foram discutidas: políticas internacionais de controle da população mundial e os desafios da legalização do aborto. O objetivo do evento era estabelecer uma articulação nacional e a mobilização das lideranças políticas pela defesa da vida desde a concepção. A iniciativa é resultado do 1º Encontro Latino-Americano de Legisladores e Governantes pela Vida, ocorrido em Santiago do Chile em novembro passado, e culminará no 1º Encontro Mundial de Legisladores e Governantes pela Vida, em Madri, neste ano. O segundo, previsto para 2009, deverá ser realizado no Brasil. No fim do encontro, foi aprovado um manifesto a ser entregue ao presidente da República e aos presidentes da Câmara e do Senado. Foi eleita uma comissão nacional para coordenar o encontro de 2009. O Presidente da Frente em Defesa da Vida – contra o aborto defendeu a criação de uma CPI para investigar o comércio clandestino de aborto e sua prática no Brasil. TV Pública acirra polêmica na Câmara A Medida Provisória da TV Brasil foi destaque da pauta na Câmara. Matéria polêmica, porque cria a Empresa Brasil de Comunicação, à qual está subordinada a TV Brasil, rede pública nascida da fusão da Radiobrás com a Associação de Comunicação Educativa Roquette Pinto. O parecer do relator alterou substancialmente o texto original da Presidência da República, ao instituir nova fonte de receita para a TV e introduzir na programação limites mínimos para conteúdos regionais – definidos como aqueles produzidos no estado, com a maior parte da equipe técnica e artística de residentes locais. O projeto foi aprovado na Câmara, na forma de projeto de lei, e agora vai para o Senado. Suplentes de Senador Várias Propostas de Emendas à Constituição sobre a questão dos suplentes de senadores estão na pauta da Comissão de Constituição e Justiça do Senado. Entre as idéias colocadas nas propostas está a de adotar o mesmo sistema de substituição da Câmara: o segundo mais votado assumiria o cargo na ausência ou afastamento do titular. Na situação atual, têm sido muitos os casos em que os suplentes a senador assumem a pasta sem ter recebido nenhum voto, o que fere o princípio da representatividade. Este tema tem sido integrado nas propostas de Reforma Política. Cassações por corrupção eleitoral no país Os candidatos dos mais de 5.500 municípios brasileiros, que irão às urnas em outubro próximo, têm que estar atentos à a Lei nº 9.840, de iniciativa popular. Desde que entrou em vigor, em 2000, o número de cassações por corrupção eleitoral no país subiu bastante. 623 políticos foram cassados: 508 prefeitos e vice-prefeitos, 84 vereadores, 8 deputados federais, 6 senadores e suplentes, 3 deputados estaduais ou distritais, e 2 governadores e seus vices. Esses números se referem a políticos cassados por captação ilícita de sufrágio, condutas vedadas aos agentes públicos e abuso de poder, apurados através de representações, investigações judiciais eleitorais, recursos contra a diplomação e ações de impugnação de mandato eletivo. Levantamento apresentado pelo Movimento Contra a Corrupção Eleitoral, em outubro passado, mostra que os estados com maior número de políticos cassados foram Minas Gerais, Rio Grande do Norte e São Paulo. Segundo a Corregedoria Geral Eleitoral, ainda tramitam na Justiça Eleitoral 1.100 processos relativos às eleições de 2006. Causa grande apreensão, porém, a decisão tomada pelo TSE na noite do dia 21 de fevereiro, que anula o processo de cassação movido contra o governador Luiz Henrique, de Santa Catarina, para que seja citado também o vice. Se essa tese vingar, atingirá outros processos judiciais, como o que envolve o governador Cássio Cunha Lima, da Paraíba e muitos prefeitos. O Movimento Contra a Corrupção Eleitoral está buscando meios de obter uma revisão dessa decisão no próprio TSE. Para as eleições deste ano, o Movimento Contra a Corrupção Eleitoral lançou uma campanha para aumentar os comitês locais e levar a discussão do voto consciente para maior número de pessoas. Segurança em compasso de espera Um ano após o assassinato brutal do menino João Hélio Fernandes, e 21 meses após os atentados da principal facção criminosa de São Paulo, ainda não saíram do papel os dois pacotes de segurança pública propostos pelo Congresso. De acordo com parlamentares envolvidos na discussão, a quase totalidade dessas propostas continua engavetada. Das 35 proposições que compunham os dois pacotes, somente duas foram transformadas em lei. Uma delas é o Projeto de Lei 7225/2006 que classifica como falta disciplinar grave do presidiário e crime do agente penitenciário o uso de telefone celular em presídios. A outra medida que vingou foi o Projeto de Lei 6793/2006, de autoria do Executivo, que obriga os condenados por crime hediondo a cumprirem pena inicialmente em regime fechado, com o benefício de progressão de regime concedido só depois de cumprido 1/3 da pena. Outra proposta que, por força constitucional, terá de receber tratamento prioritário é a Medida Provisória 416/2008, que institui o Programa Bolsa-Formação para a qualificação profissional dos integrantes das polícias militar e civil, do corpo de bombeiros, peritos e agentes carcerários e penitenciários. A matéria está pronta para a apreciação do plenário. Maioridade penal A questão da redução da maioridade penal foi pautada no senado, mas não foi votada. A proposta divide radicalmente os parlamentares. As estatísticas mostram que a maioria dos crimes violentos do Brasil – mais de 98% – não envolvem a participação de menores de 18 anos. Então, o impacto real da redução da maioridade penal é baixíssimo. Também é um debate que esbarra em obstáculos jurídicos formais, atinentes à questão de ser ou não uma cláusula pétrea –insuscetível de mudança. Enfrentará também obstáculos políticos, porque é difícil reunir 3/5 num tema como esse.
Contribuíram para esta análise Pe. Antonio Abreu SJ, Pe. Bernard Lestienne SJ e Pe. Thierry Linard SJ (membros do IBRADES), Ir.Delci Franzen, Paulo Maldos e Pe. Ernanne Pinheiro
Pedro A. Ribeiro de Oliveira PUC-Minas e ISER-Assessoria
Missa em Anapu lembra 3 anos de morte da Ir.
Dorothy Stang
Pontifício Conselho para Emigrantes
e Itinerantes condena tráfico de seres humanos
“O tráfico de seres humanos é um dos fenômenos mais vergonhosos da nossa era”, definiu o secretário do Pontifício Conselho da Pastoral dos Emigrantes e Itinerantes, arcebispo Agostino Marchetto, ao intervir ontem, 13, no Foro para a Luta contra o Tráfico de Seres Humanos, que se encerra hoje, em Viena, Áustria. “Sabe-se que a pobreza, a falta de oportunidades e a coesão social motivam as pessoas a buscar um futuro melhor, apesar dos perigos que possam implicar e lhes tornar extremamente vulneráveis ao comércio de seres humanos”, afirmou. Segundo dom Agostino, nos dias de hoje, há diversos fatores que contribuem para a difusão deste crime, como por exemplo a ausência de normas específicas em alguns países, a ignorância dos próprios direitos por parte das vítimas e a estrutura sócio-cultural e das guerras. O bispo disse ainda que a “Santa Sé estimula todas as iniciativas justas encaminhadas a erradicar o fenômeno imoral e criminoso, assim como a promoção do bem-estar das vítimas”. “O Protocolo de Palermo e as convenções regionais sucessivas têm dado passo a uma exaustiva jurisprudência internacional contra o tráfico de seres humanos. Por outro lado, a Santa Sé expressa sua satisfação pela entrada em vigor, no início deste mês, da Convenção do Conselho da Europa contra o tráfico de seres humanos”, acrescentou dom Agostino.
Missa em Anapu lembra 3 anos de morte da Ir.
Dorothy Stang
sexta: 15 de fevereiro de 2008
Missa em Anapu lembra 3 anos de morte da Ir.
Dorothy Stang
sexta: 15 de fevereiro de 2008
Uma missa em memória à Ir. Dorothy Stang, ocorrida no último dia 12, reuniu a comunidade de Anapu (PA), na paróquia Santa Luzia, local onde seu corpo repousa e que se tornou espaço de peregrinação. Segundo a assessora da Comissão Episcopal para a Amazônia, Ir. Cecília Tada, presente na celebração, “a população associou o sacrifício da Ir. Dorothy ao de Jesus, na certeza de que em Deus ela continua presente no meio das pessoas”. “Dorothy vive sempre. Não está mais entre a população sofrida, mas o seu espírito se faz presente no espírito de luta de muitos que, aos poucos, resgatam a audácia e a coragem reprimidas pela violência das ameaças e mortes que continuam a acontecer na Região”, afirmou Ir. Cecília. De acordo com a assessora, nos vários pronunciamentos feitos durante as celebrações, seja pelo bispo de Xingu (PA), dom Erwin Kräutler, ou por representantes de movimentos, a tônica foi de lamentação diante das grandes promessas políticas do Governo, do Ministério Público, Incra e Ibama, em regularizar a situação fundiária e florestal no Pará. Além disso, denunciaram a devastação da floresta, os manejos florestais ilegais, caminhões de madeireiros que circulam livremente; cobraram justiça contra o mandante do crime da Ir. Dorothy e de tantos outros que foram assassinados. O encerramento da celebração foi marcado pela apresentação do cantor e compositor Zé Vicente
15.02.08 - BRASIL Brasil - Homenagem a Dom Pedro80 anos ultraleve de Deus Paulo Suess *
Adital - Profeta, posseiro do tempo que aras com pena de poeta e asas de ultraleve. Missionário místico, maracá do Reino, mártir de raspão, testemunha sempre. Peregrino das Américas, veleiro em alto-mar onde paz e tempestade se abraçam no perdão. Sinal de contradição, sino de esperança desde o mundo indígena badalando indignação. Irmão dos pobres, raiz com asa cata-vento de Deus romeiro sem casa. Trigo perdido na margem do Araguaia utopia nas encruzilhadas da memória do povo. Apareceste entre os humanos em tempo de vacas magras, lutaste para virar o mundo, ao avesso, para todos.
Foto: servicioskoinonia.org Trocaste a carreira pelo Caminho, a correria pela caminhada, o grito pela canção - Quixote e Macunaíma. Lutaste por terra para viver, sonhaste vinho para todos e pão - como tua vida - consagrado, repartido. Das pedras fizeste caminhos e pontes, das perdas e dores novos horizontes. Pedro, divina energia pedra preciosa dom de Deus, presente, Eucaristia. Paulo Suess
- Missiólogo. Membro do Conselho Indigenista Missionário (CIMI)
15.02.08 - BRASIL Brasil - Homenagem a Dom Pedro80 anos ultraleve de Deus Paulo Suess *
Adital - Profeta, posseiro do tempo que aras com pena de poeta e asas de ultraleve. Missionário místico, maracá do Reino, mártir de raspão, testemunha sempre. Peregrino das Américas, veleiro em alto-mar onde paz e tempestade se abraçam no perdão. Sinal de contradição, sino de esperança desde o mundo indígena badalando indignação. Irmão dos pobres, raiz com asa cata-vento de Deus romeiro sem casa. Trigo perdido na margem do Araguaia utopia nas encruzilhadas da memória do povo. Apareceste entre os humanos em tempo de vacas magras, lutaste para virar o mundo, ao avesso, para todos.
Foto: servicioskoinonia.org Trocaste a carreira pelo Caminho, a correria pela caminhada, o grito pela canção - Quixote e Macunaíma. Lutaste por terra para viver, sonhaste vinho para todos e pão - como tua vida - consagrado, repartido. Das pedras fizeste caminhos e pontes, das perdas e dores novos horizontes. Pedro, divina energia pedra preciosa dom de Deus, presente, Eucaristia. Paulo Suess
- Missiólogo. Membro do Conselho Indigenista Missionário (CIMI)
Deputada Luíza Erundina faz análise de conjuntura no ENP sexta: 15 de fevereiro de 2008
Encerrando as atividades do segundo dia do 12o Encontro Nacional de Presbíteros (ENP), nesta quinta-feira, 14, a deputada Luíza Erundia falou aos 450 padres fazendo uma análise da conjuntura política e econômica do país. Na sua análise, a deputada criticou o crescimento do país que avaliou como muito pequeno. “Estamos estagnados. Países com menos recursos potenciais que o Brasil estão à nossa frente. A média mundial gira em torno de 4% enquanto o Brasil não consegue ultrapassar os 3%”.
A deputada afirmou que o Brasil se beneficiou muito do crescimento econômico dos países ricos nos últimos cinco anos. “Na medida em que países ricos crescem, o capital excedente aumenta e, consequentemente, eles passam a ter mais possibilidade de investir em países como o Brasil”, disse. Para Erundina, essa é uma das razões pela qual é possível afirmar que os indicadores macroeconômicos do Brasil “não são frutos de um acerto do atual governo, mas de uma situação econômica favorável na vida dos países desenvolvidos”. Segundo a deputada, a crise da economia norte-americana é sinal de que as coisas não vão bem. “A reação diante desse quadro de crise, que beira à recessão, é o fortalecimento da produção de tecnologia militar. A venda de armas é uma das saídas que o governo norte-americano procura utilizar. Contudo, para que armas sejam vendidas, é preciso que haja guerras. E aí eles investem em guerras artificiais,” explica. Na sua opinião, também o crescimento da China preocupa os Estados Unidos. “Do ponto de vista da geografia política o crescimento da China é bastante interessante. Desde a queda da União Soviética o mundo convive apenas com um pólo. Dentro desse contexto, a China pode se tornar um outro polo”. Ao se referir à América Latina, Erundina aponta a integração regional (Cone Sul) como forma de fortalecer o poder dos países, desde que não fique apenas no plano comercial, mas também nível político, social e cultural. “Vemos muitos países resgatando a soberania nacional, destruindo a idéia de um Estado mínimo, presente em toda política neoliberal. O Brasil tem que investir mais nessa integração regional. É por isso que não perdôo o Lula por ter chamado Bush de companheiro”, enfatizou a deputada. Papel da Igreja Ao ser perguntada sobre qual o papel da Igreja diante deste cenário, Erundina respondeu que a Igreja deve continuar formando e organizando o povo. “A motivação para minha ação veio, em primeiro lugar da Igreja e do Evangelho vivo”, justificou. Em entrevista exclusiva à assessoria de imprensa do ENP, a deputada que a diversidade de tantos padres lhe chamou a atenção no Encontro dos Presbíteros. “Chamou minha atenção a diversidade de origem, de idade, e experiência e de compreensão das coisas. É um grupo muito rico e expressa a realidade da diversidade da Igreja no Brasil”, considerou. Também o clima de informalidade do encontro foi destacado por Luíza Erundina. “Tinha uma energia circulando entre vocês que denuncia a presença de Deus entre vocês”. Para ela o encontro dos presbíteros “é o encontro da Igreja antenada com o povo, com os seus anseios e seus problemas”. Para ela, os padres devem continuar “ajudando o povo a acordar para ler a realidade com sua cabeça, fazendo-o a acreditar em si mesmo. Essa é a força que vai mudar o país”.
Voltar
Site Official da CNBB - Conferência Nacional dos Bispos do Brasil - Todos os direitos reservados.
Título
PROJETO ELEIÇÕES 2008
BOLETIM no. 1 – Fevereiro
FÉ E POLÍTICA: Uma Missão Possível Você está recebendo o primeiro de uma série de oito boletins que foram produzidos pelo Núcleo de Estudos Sociopolíticos da Arquidiocese de Belo Horizonte em parceria com o Programa de Pós-graduação em Ciências da Religião da PUC de Minas Gerais. A Igreja acredita que a participação de eleitores bem informados contribuirá para que as eleições municipais deste ano sejam um passo importante na construção de uma sociedade mais justa, mais pacífica e mais harmoniosa. Muita gente diz: “votar pra quê? A gente vota, muda prefeito, muda vereador, mas parece que pouca coisa muda... Veja só: no meu bairro a Prefeitura construiu um centro de saúde todo bonito, mas até hoje praticamente não tem médico atendendo. Só funciona pra vacinação e olhe lá... Já reclamamos com um vereador que se diz representante do bairro, mas ele só dá desculpa esfarrapada... Eu voto porque é obrigatório...” Essas pessoas desanimam da política quando vêem coisas mal feitas. Mas nós não desanimamos! Ao contrário: o que estiver ruim, pode ser consertado; o que estiver bom, pode ficar ainda melhor! Este boletim foi escrito por pessoas que vêem a política como uma “forma sublime de praticar o amor ao próximo” e que estudam a fundo nossa realidade, buscando caminhos para melhorar nossa sociedade. Queremos partilhar com você os resultados do nosso trabalho, porque estamos convencidos de que a participação consciente do maior número possível de cidadãos é o caminho mais eficaz para construir em nosso País uma verdadeira Democracia: política, social, cultural, étnica e econômica. POLÍTICAS PÚBLICAS Vamos começar falando da participação da sociedade na definição das políticas públicas. Sua história começa há quase 800 anos. Isto mesmo: em 1215, quando os nobres da Inglaterra se revoltaram contra os altos impostos cobrados pelo rei. Para conter a revolta, o rei assinou a Magna Carta que, entre outras concessões de ordem jurídica (como o habeas corpus) e política (submissão do rei às normas da lei), instituiu o controle dos impostos por um Conselho de Barões. Até então, o poder do rei era absoluto: obrigava seus súditos a pagarem impostos e usava o dinheiro arrecadado como bem quisesse. A partir daí, ele só poderia cobrar impostos com autorização do Conselho que dizia em quê o dinheiro deveria ser usado. Naquela época nem se pensava em participação democrática, do povo todo. Somente os nobres tinham assento no Conselho do Reino. Mas ali foi lançada a semente do Estado Constitucional moderno. Surpreendente, é que muita gente até hoje não entende que quem paga imposto tem direito a decidir sobre sua utilização. Os barões ingleses entenderam isso muito bem, mas reservaram esse direito para si. Só com muito tempo e muita luta política esse direito foi-se estendendo até o povo. Este é um dos desafios do Estado democrático: criar instrumentos que permitam a todo contribuinte decidir sobre o destino de seus impostos. Esta é uma das mais antigas conquistas da democracia: quem exerce o poder público (rei, presidente, ministro, prefeito) não é dono dos recursos arrecadados, mas sim uma espécie de gerente. Ele deve administrar a coisa pública, destinando os recursos conforme o destino decidido pelos cidadãos e cidadãs. Aqui chegamos ao ponto-chave: todos pagamos impostos, queiramos ou não, porque os impostos sobre o consumo, por exemplo, incidem sobre qualquer coisa que se compre. Mas pouca gente, muito pouca gente, decide sobre o destino a ser dado aos impostos, isto é em quê e como eles devem ser gastos. Decidir sobre o destino que deve ser dado aos recursos arrecadados pelos impostos é uma das principais atribuições de quem faz política. Essa decisão cabe, em última instância, às pessoas que nós mesmos escolhemos para, em nosso nome, decidir sobre quanto gastar em qual área de interesse geral da população. Em outras palavras, elegemos governantes e legisladores para usarem o dinheiro dos impostos arrecadados em políticas públicas. Todas as medidas e disposições governamentais que atingem a sociedade, influenciando as condições de existência dos cidadãos, são chamadas de políticas públicas. Elas podem afetar os mais diversos setores da vida coletiva; por isso tratam da política econômica, ambiental, previdenciária, industrial, de segurança, de telecomunicações, tecnológica, prisional, cultural, energética, de relações internacionais, educacional, de saúde, monetária e outras. Algumas só podem ser definidas em âmbito federal (p.ex. defesa nacional) ou estadual (p.ex. segurança pública), mas as mais próximas do nosso dia-a-dia – as políticas sociais – ensino fundamental, saúde, lazer, transporte urbanos, saneamento e abastecimento de água etc., são definidas pelos poderes municipais. Daí a importância das eleições deste ano: nelas escolheremos quem vai definir os rumos das políticas públicas no município onde vivemos.
IMPORTÂNCIA DA PARTICIPAÇÃO Ao produzir e distribuir este boletim, a Igreja está convidando você e todas as pessoas de boa-vontade, para unirmos nossas forças e, com entusiasmo e esperança, influirmos positivamente nas eleições municipais deste ano. Não se trata de indicar partido nem candidatos, mas sim de colaborar para a construção de um município mais justo, harmonioso, pacífico e ecologicamente equilibrado. Queremos assim realizar a vocação dos discípulos e missionários de Jesus que se colocam a serviço do Reino de Deus – e isso significa, em sua dimensão política, uma sociedade conforme a promessa bíblica: “Amor e fidelidade se encontram, justiça e paz se abraçam. A fidelidade brotará da terra, e a justiça se inclinará do Céu“ (Salmo 85 (84).” Para aproveitar bem este material, de modo a participar das próximas eleições não apenas como uma obrigação, mas como uma contribuição consciente para melhorar o município, sugerimos o seguinte: • Leve este boletim e convide outras pessoas de seu relacionamento para também lerem e juntos debaterem o tema proposto. • Reflitam juntos sobre a relação entre o dever de pagar imposto e o direito de votar. • Se o grupo achar que foi proveitoso, marque nova reunião dentro de um mês, para a leitura e o debate sobre o tema do próximo boletim.
Folheto produzido pelo Núcleo de Estudos Sociopolíticos da Arquidiocese de Belo Horizonte em parceria com o Programa de Pós-graduação em Ciências da Religião – PUC Minas. Mais informações no site www.pucminas.br/nesp, ou no Vicariato para Ação Social e Política:(31)34224430
26/1/2008
Este é o primeiro de uma série de oito boletins que foramproduzidos pelo Núcleo de Estudos Sociopolíticos da Arquidiocese de Belo Horizonte em parceria com o Programa de Pós-graduação em Ciências da Religião da PUC de Minas Gerais. Leia e divulgue! Pode ser reproduzido e publicado livremente, desde que citada a fonte. Clique aqui para "baixar" o documento na íntegra. Silvestre dos Santos Lima Comissão de Comunicação do CNLB
PROJETO ELEIÇÕES 2008
BOLETIM no. 1 – Fevereiro
FÉ E POLÍTICA: Uma Missão Possível Você está recebendo o primeiro de uma série de oito boletins que foram produzidos pelo Núcleo de Estudos Sociopolíticos da Arquidiocese de Belo Horizonte em parceria com o Programa de Pós-graduação em Ciências da Religião da PUC de Minas Gerais. A Igreja acredita que a participação de eleitores bem informados contribuirá para que as eleições municipais deste ano sejam um passo importante na construção de uma sociedade mais justa, mais pacífica e mais harmoniosa. Muita gente diz: “votar pra quê? A gente vota, muda prefeito, muda vereador, mas parece que pouca coisa muda... Veja só: no meu bairro a Prefeitura construiu um centro de saúde todo bonito, mas até hoje praticamente não tem médico atendendo. Só funciona pra vacinação e olhe lá... Já reclamamos com um vereador que se diz representante do bairro, mas ele só dá desculpa esfarrapada... Eu voto porque é obrigatório...” Essas pessoas desanimam da política quando vêem coisas mal feitas. Mas nós não desanimamos! Ao contrário: o que estiver ruim, pode ser consertado; o que estiver bom, pode ficar ainda melhor! Este boletim foi escrito por pessoas que vêem a política como uma “forma sublime de praticar o amor ao próximo” e que estudam a fundo nossa realidade, buscando caminhos para melhorar nossa sociedade. Queremos partilhar com você os resultados do nosso trabalho, porque estamos convencidos de que a participação consciente do maior número possível de cidadãos é o caminho mais eficaz para construir em nosso País uma verdadeira Democracia: política, social, cultural, étnica e econômica. POLÍTICAS PÚBLICAS Vamos começar falando da participação da sociedade na definição das políticas públicas. Sua história começa há quase 800 anos. Isto mesmo: em 1215, quando os nobres da Inglaterra se revoltaram contra os altos impostos cobrados pelo rei. Para conter a revolta, o rei assinou a Magna Carta que, entre outras concessões de ordem jurídica (como o habeas corpus) e política (submissão do rei às normas da lei), instituiu o controle dos impostos por um Conselho de Barões. Até então, o poder do rei era absoluto: obrigava seus súditos a pagarem impostos e usava o dinheiro arrecadado como bem quisesse. A partir daí, ele só poderia cobrar impostos com autorização do Conselho que dizia em quê o dinheiro deveria ser usado. Naquela época nem se pensava em participação democrática, do povo todo. Somente os nobres tinham assento no Conselho do Reino. Mas ali foi lançada a semente do Estado Constitucional moderno. Surpreendente, é que muita gente até hoje não entende que quem paga imposto tem direito a decidir sobre sua utilização. Os barões ingleses entenderam isso muito bem, mas reservaram esse direito para si. Só com muito tempo e muita luta política esse direito foi-se estendendo até o povo. Este é um dos desafios do Estado democrático: criar instrumentos que permitam a todo contribuinte decidir sobre o destino de seus impostos. Esta é uma das mais antigas conquistas da democracia: quem exerce o poder público (rei, presidente, ministro, prefeito) não é dono dos recursos arrecadados, mas sim uma espécie de gerente. Ele deve administrar a coisa pública, destinando os recursos conforme o destino decidido pelos cidadãos e cidadãs. Aqui chegamos ao ponto-chave: todos pagamos impostos, queiramos ou não, porque os impostos sobre o consumo, por exemplo, incidem sobre qualquer coisa que se compre. Mas pouca gente, muito pouca gente, decide sobre o destino a ser dado aosimpostos, isto é em quê e como eles devem ser gastos. Decidir sobre o destino que deve ser dado aos recursos arrecadados pelos impostos é uma das principais atribuições de quem faz política. Essa decisão cabe, em última instância, às pessoas que nós mesmos escolhemos para, em nosso nome, decidir sobre quanto gastar em qual área de interesse geral da população. Em outras palavras, elegemos governantes e legisladores para usarem o dinheiro dos impostos arrecadados em políticas públicas. Todas as medidas e disposições governamentais que atingem a sociedade, influenciando as condições de existência dos cidadãos, são chamadas de políticas públicas. Elas podem afetar os mais diversos setores da vida coletiva; por isso tratam da política econômica, ambiental, previdenciária, industrial, de segurança, de telecomunicações, tecnológica, prisional, cultural, energética, de relações internacionais, educacional, de saúde, monetária e outras. Algumas só podem ser definidas em âmbito federal (p.ex. defesa nacional) ou estadual (p.ex. segurança pública), mas as mais próximas do nosso dia-a-dia – as pol íticas sociais – ensino fundamental, saúde, lazer, transporte urbanos, saneamento e abastecimento de água etc., são definidas pelos poderes municipais. Daí a importância das eleições deste ano: nelas escolheremos quem vai definir os rumos das políticas públicas no município onde vivemos.
Morre D. Cândido Padin
IMPORTÂNCIA DA PARTICIPAÇÃO Ao produzir e distribuir este boletim, a Igreja está convidando você e todas as pessoas de boa-vontade, para unirmos nossas forças e, com entusiasmo e esperança, influirmos positivamente nas eleições municipais deste ano. Não se trata de indicar partido nem candidatos, mas sim de colaborar para a construção de um município mais justo, harmonioso, pacífico e ecologicamente equilibrado. Queremos assim realizar a vocação dos discípulos e missionários de Jesus que se colocam a serviço do Reino de Deus – e isso significa, em sua dimensão política, uma sociedade conforme a promessa bíblica: “Amor e fidelidade se encontram, justiça e paz se abraçam. A fidelidade brotará da terra, e a justiça se inclinará do Céu“ (Salmo 85 (84).” Para aproveitar bem este material, de modo a participar das próximas eleições não apenas como uma obrigação, mas como uma contribuição consciente para melhorar o município, sugerimos o seguinte: · Leve este boletim e convide outras pessoas de seu relacionamento para também lerem e juntos debaterem o tema proposto. · Reflitam juntos sobre a relação entre o dever de pagar imposto e o direito de votar. · Se o grupo achar que foi proveitoso, marque nova reunião dentro de um mês, para a leitura e o debate sobre o tema do próximo boletim.
Folheto produzido pelo Núcleo de Estudos Sociopolíticos da Arquidiocese de Belo Horizonte em parceria com o Programa de Pós-graduação em Ciências da Religião – PUC Minas. Mais informações no site www.pucminas.br/nesp, ou no Vicariato para Ação Social e Política:(31)34224430
26/1/2008
Morre D. Cândido Padin
26/1/2008
Morre D. Cândido Padin
Bispo emérito de Bauru (SP), dom Cândido Rubens Padin, 92 anos, morreu ontem, 25-01-2008, no Mosteiro de São Bento, em São Paulo, de causas naturais. O corpo será velado no mosteiro a partir de hoje, às 13h, e sepultado no cemitério local na segunda-feira, às 11h. A notícia é do jornal Zero Hora, 26-01-2008. Nascido em São Carlos (SP), estudou Filosofia e Teologia. Fez sua profissão religiosa em 1942, ano em que se tornou doutor em filosofia, e foi ordenado padre em 1946. Formado em Direito pela Universidade de São Paulo (USP), escreveu livros como O Universo e o Jornalista (1942). Nomeado bispo auxiliar do Rio de Janeiro, em 1962, ficou lá até 1965, sendo um dos fundadores da Juventude Universitária Católica - JUC - no município e também assistente nacional da Ação Católica Brasileira. Foi bispo diocesano de Lorena (SP) de 1966, a 1970, quando foi transferido para Bauru, diocese que governou até se tornar emérito, em 1990. Dom Cândido foi responsável pelo setor de Educação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), de 1962 a 1968, presidente do Departamento de Educação do Conselho Episcopal Latino-americano - Celam - (1967-1972) e consultor da Sagrada Congregação para a Educação Católica (1968-1973). D. Cândido Padin, durante a ditadura militar se notabilizou pelo combate aos fundamentos jurídicos e filosóficos da Doutrina de Segurança Nacional e que originou a famigerada Lei de Segurança Nacional. Em meio à ditadura, chegou a ajudar na fuga de estudantes perseguidos por militares. iu pessoalmente num episódio da ditadura militar, em 1964: resgatou dez rapazes que faziam parte da juventude católica. Com eles havia sido encontrado o filme “O Encouraçado Potemkin”, que retrata um levante de marinheiros russos contra o império em 1905. “Não posso deixar de pedir que me sejam entregues agora”, resumiu ele a um oficial. O grupo foi solto. Outro episódio que evidencia a trajetória ativa de dom Cândido é sua prisão, em 1976, em Riobamba, no Equador. Estava num congresso para conhecer e refletir sobre uma pastoral indígena que criava comunidades cristãs sem desprezar as características originárias de cada cultura.
Morre, aos 92 anos, dom Cândido Padin sexta: 25 de janeiro de 2008 Faleceu por volta das 10:30h desta sexta-feira, 25, no Mosteiro de São Bento, em São Paulo, o bispo emérito de Bauru (SP), dom Cândido Rubens Padin. Segundo o Prior do Mosteiro, dom João Evangelista Kovas, dom Cândido rezava o breviário no momento em que morreu. “Ele estava bem e teve uma manhã normal, tomou seu café e, por volta das 10h, sentou-se para rezar o breviário e morreu”, conta o Prior. O velório terá início amanhã, 26, a partir das 13h no Mosteiro de São Bento. Na segunda-feira, 28, às 11h, haverá a missa de exéquias e, em seguida, o corpo de dom Cândido será sepultado no cemitério do Mosteiro. Em nota, o secretário geral da CNBB, dom Dimas Lara Barbosa, lamentou a morte de dom Candido e falou de sua longa vida. “Louvamos e agradecemos a Deus por sua longa vida que ficará indelevelmente marcada entre nós por suas grandes obras em favor do Evangelho e da Igreja no Brasil”, disse o secretário. Dom Cândido tinha 92 anos e pertencia à Ordem de São Bento (OSB). Nascido em São Carlos (SP), no ano de 1915, estudou filosofia na Faculdade de São Bento, em São Paulo, e teologia, também com os beneditinos, em Três Poços (RJ) e São Paulo. Dom Cândido fez sua profissão religiosa em 1942, ano em que se tornou doutor em filosofia, e recebeu a ordenação presbiteral em 1946. Nomeado bispo auxiliar do Rio de Janeiro, em 1962, dom Cândido adotou como lema Veritatem in caritate (A verdade na caridade) e ficou na Cidade Maravilhosa até 1965 onde foi Assistente Nacional da Ação Católica Brasileira. “Ele foi um dos fundadores da Juventude Universitária Católica (JUC)”, recorda dom Kovas.
Nomeado bispo diocesano de Lorena (SP) em 1966, aí permaneceu até 1970 quando foi transferido para Bauru, diocese que governou até se tornar emérito em 1990.
Com atuação destacada na área da educação, dom Cândido respondeu pelo Secretariado da Educação da CNBB de 1962 a 1968. Além disso, foi Presidente do Departamento de Educação do Conselho Episcopal Latino-americano (1967-1972) e Consultor da Sagrada Congregação para a Educação Católica (1968-1973). Formado em Direito pela Faculdade de Direito da USP, da qual foi Reitor, dom Cândido escreveu vários livros, entre os quais, sua tese de doutoramento, O problema do conhecimento em Demond Goblot (1942); O universo e o jornalista (1942); Objetivos da Orientação Educacional – CADES (1957); A doutrina da Segurança Nacional e a missão da Igreja (1973); Missão dos leigos cristãos – Missão da Igreja na perspectiva da libertação (1973).
Nota da CNBB pelo falecimento de Dom Cândido Padin sexta: 25 de janeiro de 2008 “Eu sou a ressurreição e a vida.Quem crê em mim, ainda que tenha morrido, viverá” (Jo 11,25). A CNBB recebe com pesar a notícia do falecimento do bispo emérito de Bauru (SP), dom Cândido Rubens Padin, OSB, ocorrido nesta sexta-feira, 25 de janeiro, no Mosteiro de São Bento, em São Paulo. Louvamos e agradecemos a Deus por sua longa vida que ficará indelevelmente marcada entre nós por suas grandes obras em favor do Evangelho e da Igreja no Brasil, seja como bispo auxiliar do Rio de Janeiro e bispo diocesano de Lorena e Bauru, no Estado de São Paulo, seja como Assistente Nacional da Ação Católica Brasileira, Responsável pelo Secretariado da Educação da CNBB, Presidente do Departamento de Educação do CELAM e Consultor da Sagrada Congregação para a Educação Católica, entre tantas outras funções que desempenhou. Manifestamos à Ordem de São Bento e aos familiares de dom Cândido Padin nossos sentimentos de pesar e dor pelo passamento desse irmão que, agora, é chamado a viver em plenitude a vida dos justos. Seja conforto e consolo a fé na Ressurreição e na Vida Eterna dadas pelo Cristo aos que Nele crêem como dom Cândido Padin testemunhou. Brasília – DF, 25 de janeiro de 2008.
CNLB - Sul 1 comemora 20 anos com Romaria a Aparecida
Encerrando as comemorações dos 20 anos de existência do CNLB (Conselho Nacional do Laicato do Brasil), Regional Sul 1, membros de várias dioceses do estado de São Paulo, de movimentos e associações laicais peregrinaram em romaria a Aparecida, no dia 18 do corrente. Neste gesto filial para com a Mãe Aparecida, os integrantes agradeceram os inúmeros benefícios concedidos a este organismo da Igreja. A CNLB visa articular os leigos e leigas no seguimento do Cristo, formar, promover a vocação e a missão e, assim, em suas várias atividades, nas pastorais, nas diversas igrejas particulares, nas paróquias, comunidades de base, movimentos e associações, construir o Reino de Deus, vivenciando sua missão específica. Além da romaria à cidade de Aparecida os membros, inicialmente, se encontraram no Porto Itaguaçu, local do achamento da imagem de Nossa Senhora Aparecida, às margens do Rio Paraíba. De lá, em procissão, se dirigiram à Basílica, a fim de celebrar a eucaristia, em ação de graças pelas duas décadas de trabalhos e conquistas, visando firmeza da fé e esperança na caminhada. O Celebrante da missa, Dom José Luiz Bertanha, Bispo de Registro e Presidente da Comissão Episcopal para o Laicato - CNBB, enfatizou o papel do laicato na igreja e seu protagonismo, ressaltou a beleza da vocação e missão leiga e sua singularidade. Segundo o presidente estadual da CNLB - Sul 1, Antonio Geraldo do Aguiar “Viemos em Romaria a Aparecida para agradecer os vinte anos de caminhada do Conselho de Leigos, do CNLB Regional Sul 1 – estado de São Paulo. Vinte anos de serviço à organização e articulação dos leigos e leigas. Celebrar diante de Nossa Senhora Aparecida os 20 anos do CNLB Regional Sul 1 é um gesto carinhoso dos filhos e filhas que pedem a mãe Aparecida as suas bênçãos para que o laicato continue firme na fé e com a esperança necessária para construção do Reino de Deus”. Com a Romaria encerramos as comemorações dos 20 anos da CNLB - Sul 1 inserida na celebração do Dia Nacional dos Cristãos Leigos e Leigas
