NOTA DO CONSELHO NACIONAL DO LAICATO DO BRASIL – CNLB aos leigos e leigas da Igreja Católica e a todo povo brasileiro.
O Brasil vive um momento ímpar de sua história. Por um lado, avolumam-se as denúncias e comprovações de corrupção que atingem figuras públicas, instituições e partidos os mais diversos. Por outro lado, há uma sensação incômoda de que, por trás das mais diversas acusações, aparentemente verdadeiras, existe um jogo político e de interesses não muito claros, mas bastante preocupantes. Por um lado, figuras políticas e instituições tendo suas contas escancaradas e colocadas à mostra todas as suas relações espúrias com o poder econômico. Por outro lado, acusadores não tão isentos são transformados em ídolos através dos mesmos mecanismos de escondimento de outros que não têm as mãos tão limpas. É fundamental que todas as denúncias sejam apuradas, atinjam a quem atingir. Já se faz tarde a eliminação da impunidade que até agora acobertou toda a vida paralela que viceja à sombra do Estado Brasileiro. É necessário que as estruturas viciadas deste mesmo Estado, em todas as suas instâncias e níveis, sejam eliminadas, da mesma forma que aquelas que, a partir da sociedade civil, promovem a privatização do espaço público através da corrupção. Mais que extirpar esta doença que se instalou no corpo social, político e econômico brasileiro, urge caminharmos celeremente para a reforma do Estado e do processo e do sistema político. E que isto não se faça apenas a partir dos entes políticos eleitos, os quais terão dificuldades de construir estruturas que lhes sejam contrárias. É necessário que o próprio povo brasileiro tome em suas mãos, como em um mutirão, a construção deste novo Brasil. Fazemos nossas as palavras da CNBB, em sua última nota a esse respeito: “A parceria entre um governo democraticamente eleito e a sociedade é fundamental para colocar o país no caminho da dignidade e da respeitabilidade. Confiamos, para isso, no discernimento e firmeza da Presidência da República e demais instituições públicas.”
Que o discurso econômico seja substituído pelo social. Que a prioridade das estruturas do Estado seja o povo brasileiro, principalmente a sua parcela empobrecida e excluída. E que a Justiça seja o princípio de toda e qualquer ação. Neste sentido, façamos nossas as palavras do salmista quando afirma que “o Senhor, dará o que é bom, e a nossa terra produzirá o seu fruto. A Justiça irá adiante dele, marcando o caminho com suas pegadas.”(Sl 85,12-13) Campinas, 2 de agosto de 2005"
Carlos Signorelli
